sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

2015 "eu vou-lhe usar"

Seis da manhã. Não precisava mas, acordei. Carregava os meus filhos pelas escadas do prédio, segundos antes de irromperem, com maldade, pela minha porta. Acordei. Não voltarei a adormecer, eu sei, principalmente porque os pensamentos surgiram tão rápidos como os ladrões.  Estava a olhar para trás, a distinguir entre um ano e outro. Há coisas que não me recordo aonde pertencem. Outras há que não tenho forma de esquecer, pertencem a este balanço. 
Este ano foi par, com números redondos como gosto. A maior descoberta foi o orgulho. Um orgulho bom, motivador. Descobri que é o que me desafia e o que me dá prazer. Percebi melhor. Percebo-me melhor.  Meti-me na aventura de um livro e aconteceu mesmo. Orgulho. Corri de Algés ao Cais do Sodré e voltei. Contei os 15 km aos metros. Orgulho. Descobri outra coisa. Achava que o "mais" era muito distante ou difícil. Descobri que o "ser mais" é tão simples como "o querer mais". Lutei por uma oportunidade na escrita e, simplesmente, consegui. Não a aproveitei, por decisão. Descobri que não posso fazer tudo, sob pena de deixar algo para trás. Fechei um ciclo profissional e fiquei tranquila. Outro convite e mais orgulho. Mantive-me no caminho. Vi nascer a Margarida. Sem palavras. Chorei com a Susana, com os pés largados na marina. Chorámos as duas e foi bom. Ri com muitas pessoas. Descobri, também, que sou muito mais forte. Sorri perante a ameaça, disse adeus a quem se afastou e mantive a porta aberta a quem escolhi. Tranquila. Olhei-me ao espelho e não desviei. Cresci em vaidade, também. Olhei para o contorno da minha anca, passei a mão por mim. Gostei. Olhei para dentro. Continuo eu. Boa rapariga que gosta dos seus. E também dos outros. Gostar é a minha maior virtude, acho eu. Ajudei quem consegui ajudar, ajudei quem me deixou e ajudei-me. Continuo neste equilibrismo a contar com os braços de alguém que, por sua vez, também se suporta em mim mas, entendo que a vida é assim- interligada, dependente e não isolada. Continuo com muitas saudades do meu pai. A percorrer todos os momentos, num loop que criei e a imaginar tudo o que é novo como se estivesse aqui. Cresceu o medo de perder mais alguém e descobri que isso é possível, como se nunca me tivesse ocorrido. Entendo-o como uma benção. Escrevi menos porque me apeteceu menos partilhar. Vivi igual. Umas vezes mais outras vezes menos. Escolhi bem onde queria gastar o meu tempo. Preocupei-me com a minha filha. Rezei. Mantive-me ali como se não me assustasse mas também sou pequena, ainda. Tudo bem. O meu filho pediu para ir a Paris- prenda de Natal. Vamos ficar por aqui. Descobri que estamos no sítio certo. 2014 foi um bom ano.








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