quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Mentira e Pedagogia ®

O que é a impermeabilidade?
"Impermeabilidade é a qualidade daquilo que é impermeável, ou seja, não permite a passagem de líquidos e outras substâncias."
Mentira!! (Julgo que tenho matéria para processar o Google) 
Hoje, fui de casaco IMPERMEÁVEL e o resultado dos 6km a correr à chuva foi... um ser completamente encharcado e gelado.




P: Mãe, porque é que tu podes correr à chuva e nós não?
R: Porque os adultos não ficam doentes com a chuva. Só as crianças. São mais fraquinhas porque nunca querem beber o leite, nem comer a sopa!

Mentira e pedagogia...ahhh...é uma arte!! Tenho de patentear isto.


Cruz nelas

É isto que me chateia!
Uma pessoa que está habituada a engordar só através da respiração, quando vai às compras procura alimentos que, vá, pareçam inócuos. Ora, um pouco à pressa e sugestionada por essa máfia que é a industria publicitária, agarrei no pacote de bolachas da foto.


Palavras chave chamaram-me à atenção: Fonte de fibra...desenvolvido por nutricionistas... cinco cereais completos (alguma vez compraria incompletos?!)... iogurte...tudo espectacularmente saudável, certo?
Guardadinhas na gaveta da secretária. Check.
Hoje, quando cairam os primeiros pingos de chuva, aqui a menina sacou da embalagem e só então reparou...1 bolacha equivale a 119 kcal!!! Não há-de aquilo saber tão bem!!! É que ninguém, mas ninguém, no seu perfeito juízo come apenas uma bolacha!!! Malditas sejam!!
É que por mais 41 kcal como o corneto de morango que está no meu congelador e que me tenta há dias. Tenho a certeza que me saberia MUITO melhor!
Isto há coisas!!!

Lambe-me canito!

E a amizade é isto.

É decidir às 10 da noite que se quer estar com alguém. É vestir um casaco por cima do pijama e guiar 15km em direcção à casa daquela que nos abraça, nos conforta e, simultaneamente, nos faz rir até às lágrimas.

É ter uma linguagem própria, gestos próprios e silêncios cúmplices.

E a amizade é isto.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Sim, meu Jamor

Às vezes ouço relatos de pessoas que abandonaram tudo, os seus amigos, profissão, casa e referências e partem para outro território para, com outra língua e outras gentes, procurar melhores condições de vida. Eu admiro essas pessoas. Julgo que deve ser preciso muita coragem. Eu admito que me sinto agarrada, não a uma rotina (não é isso) mas àquilo que considero ser as minhas pessoas, os meus espaços....a minha identidade. Pensei nisto ontem quando, aborrecida com a vida, corri pelo meu Jamor. Sim, meu Jamor. Passando pelos courts de ténis, aquela cor e aquele cheiro suditamente fizeram-me recordar 15/20 anos. E relembrei tanta coisa que fez com que eu percebesse o porquê de me sentir tão bem naquele espaço. Desde os piquenines com os meus pais (quando ainda eramos uma família...), às vezes que fazíamos o circuito...até depois, já com os amigos, quando passei tardes a jogar ténis ou vá a roubar bolas (!!!), sem falar nas gincanas de bicicleta  (episódios que mereciam todo um outro texto)...mais tarde, quando aprendi a conduzir ao volante de UMM monstruoso e... agora...é a este mesmo sítio que levo os meus filhos ao parque, a jogar à bola ou a andar de bicicleta. É aqui, bem à beira da água, nos pedragulhos desconfortáveis, que me sento com a minha melhor amiga e partilho aquilo que me aflige ou alegra. É aqui que, no final do dia ou à noite, corro acompanhada ou sozinha ouvindo música e cheirando os mesmos odores que não mudaram nestes últimos anos. Gosto.


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Breathe in...breathe out...

Não foi o meu melhor tempo e de longe a maior distância percorrida mas, hoje, especialmente hoje, considero que foi um grande feito. Há dias difíceis. Sei que quando conseguir controlar a respiração, vou conseguir melhorar muitas coisas na minha vida.

sábado, 27 de agosto de 2011

Não percebo!

Se há coisa que me revolta são injustiças. E, receio que, ultimamente, tenha sido alvo de muitas. São ideias feitas, juízos de valor, calúnias que me são dirigidas. Sangue do meu sangue, amigos do coração, cara-metade e afins acusam-me de ser, como direi... pouco romântica.
Gozona, demasiado prática...sei lá. É um rol de injúrias que me têm dirigido e cujos fundamentos desconheço.
Como sabem, sou pessoa que gosta de partilhar...terei dito algo que tenha passado esta ideia?! Não existem argumentos válidos!!!
Tenho de reflectir um pouco mais sobre este assunto.
Agora não posso.
Hoje é Sábado. Tenho de ir fazer o amor que amanhã é dia de mudar os lençóis.

A 3ª paragem do 70 é minha



É oficial.
Hoje faleceu a nossa máquina de lavar e secar roupa. Era uma doença terminal que se arrastava há algum tempo... a despesa foi grande.
Este mês, suspeito que terei de fazer uma perninha no Monsanto.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Marmelada ao mais alto nível

Hoje esbarrei com um vizinho da minha mãe que, desde que me lembro, me olha de lado. Julgo que foi desde que me apanhou com o meu namorado (agora marido) nas escadas do prédio, junto às arrecadações… no sítio mais recôndito que conseguimos encontrar… Não tinha mais do que 16 anos e a marmelada processava-se ao mais alto nível. Desde então, e durante longos anos, dirigiu-me olhares furtivos lançando-me mensagens subliminares de repúdio, censura e acredito mesmo, de horror.
Hoje, quando me viu entrar, com este meu ar altamente respeitável, levando pelas mãos duas crianças lavadas e bem penteadas, abriu a boca, mostrou-me os dentes e esboçou um largo sorriso nunca visto. Toda a sua expressão corporal transmitia um único pensamento “ah… não te desgraçaste!”.
Julgo que, só a partir do dia de hoje, este senhor vai conseguir dormir bem à noite.
A mim, por outro lado, surgiu-me uma dúvida interior. Não sabia bem o que me apetecia fazer. Pensei em duas hipóteses:
A.      Gritar-lhe bem alto “Toma!!! E ainda estou com o mesmo!”;
B.      Agora bem baixinho, dizer-lhe “Pareço-lhe certinha, com as criancinhas e o ar respeitável, não é? Mas até que ía novamente para as escadas fazer bem pior do que aquilo que viu!!”.
Mas não fiz nada. Em vez disso, sorri apenas. Com um ar mais cândido que consegui simular.
Eu gosto de fazer as pessoas felizes!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Pernas pequenas com collants

E…já podia chegar o frio! Não quero saber das pessoas qua ainda estão de férias. As minhas já acabaram. Sim, quem me conhece (e nem sequer precisa de ser muito bem) sabe o que eu aprecio o Inverno.
É certo que, como mãe, o Verão dá-me muito jeito. Não há nada como vestir os petizes com uns calções, tshirt e crocs; não há nada como “ver” uns jeans secar numa hora e, convenhamos, não há nada comparável a uma noite de Verão.
Mas, por outro lado, quando largo a minha personagem de veraneante, a primeira coisa em que penso é: já se podia sentir um friozinho! É que, colocando na balança os inúmeros aspectos positivos associados a cada estação, eu consigo sempre fazer pender, sem a menor margem de dúvida, para o lado menos quente (mas para mim mais encantador). Senão vejamos: existe melhor conforto do que uma cama com lençóis polares e edredon? Dormir em conchinha? Existe melhor coisa do que ver um filme, num sofá, com manta, chá e bolachas? E o som e cheiro da lareira? Para não falar dos modelitos…o que eu aprecio cachecóis e gabardines! O que eu gosto das cores quentes da roupa de Inverno. E o que acontece nesta estação? Os aniversários das pessoas de quem gosto (onde eu me incluo!!!)… o Natal!! E o fim-de-ano? E podia continuar e continuar…
E quando alguém associa um problema ao Inverno, eu vejo uma coisa positiva (espanto…). Por exemplo, a maior parte dos pais desespera com o mês de Setembro. O início do ano escolar…pois eu não. Uma lista de material produz um efeito em mim quase orgásmico. Ok. Estou a exagerar. Mas gosto muito. Adoro percorrer filas de supermercados procurando as melhores borrachas e lapiseiras. Adoro o cheiro do papel. Adoro forrar livros, colocar etiquetas e escrevinhar o nome dos meus filhos com caneta de acetato.
Parênteses. Tenho para mim que uma mãe, só é boa mãe se tiver uma caneta de acetato. Fim de parênteses.
E fazer horários? Ah…fazer horários… Like!
O fim-de-semana foi assim e eu gostei!
Gosto de reuniões de pais. Adoro observar os pais stressados a anotar tudo e a desejar que os filhos aprendam álgebra no 1º ciclo. Gosto de rir. Gosto muito de me rir.
E o frio trás isso tudo. Até o início da temporada das séries que gosto. E as manhãs de Domingo no Starbucks com aquelas amigas e aquelas conversas. E traz pernas pequenas com collants…
Sou, nitidamente, uma pessoa do frio. Será que é porque gosto de aconchego?
Suspeito que sim!





quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Chill Out

P: O que é que fazes quando vais a casa na hora de almoço?

R: SUSPIRO... Bom, às vezes vou às compras, outras aproveito para dar um jeitinho na casa, estender roupa, adiantar o jantar, ver o telejornal... sei lá, o que for preciso! Dá muito jeito!

Cinzento

Das poucas coisas de que me lembro da faculdade é de uma teoria sociológica que, sinteticamente, dizia que a acção do Homem tinha sempre subjacente uma justificação. Parece óbvio mas, a questão é mais profunda. A teoria dizia que todos os Homens nascem com uma natureza boa e a sociedade é que os corrompe, isto é, todas as suas “más acções” são justificadas pelas circunstâncias da sua vida. Lembro-me de, na altura pensar “escreveu este homem um livro sobre isto!”. Hoje penso o quão perigosa esta teoria é. Ao fim ao cabo, diz este senhor que, todas as pessoas têm boas razões para agirem como agem.
“O serial Killer X matou 20 mulheres porque foi abusado na sua infância pela sua mamã” – tadinho do bichinho…
Aprendemos e ensinamos às nossas criancinhas aquilo que é certo e errado; fazemos questão de, durante anos e anos, delinear bem a fronteira que separa os caminhos percorridos por boas e más pessoas e, depois, chega uma altura na nossa vida em que parece que tudo se mistura. Contra mim falo. Há medida que os anos passam, dou por mim a ser cada vez mais tolerante, compreensiva e flexível. As minhas certezas absolutas vão-se tornando relativas e tenho uma crescente tendência para analisar cada facto sob todas as perspectivas possíveis.  As pessoas e o mundo deixaram de ser pintados a preto ou a branco. Descobri o cinzento e… as suas diferentes tonalidades.
Hoje em dia, aquilo que faço é justificado pelas minhas razões. São só minhas e, com certeza, muito poucos as compreenderiam. Mas eu compreendo e isso basta-me.
Porque sei que isto é perigoso, não tenho dúvidas de que não quero transmitir aos meus filhos a possibilidade desta visão. Continuarei a passar a mensagem de que há pessoas totalmente boas e totalmente más, de que há céu e inferno, e de que o mundo é… a cores!
Branco e preto? Eles não compreenderiam!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A que custo?

"Ah...foram muito giras! Soube tão bem"...
Frases idiotas que escondem todo um drama.
Um pequeno parênteses: detesto, mas detesto, voltar de férias e ter de contar tudo o que fiz  durante as últimas semanas, a toda a alma que me aparece à frente. E, pior, é ter de perguntar, de seguida, como correram as férias a essa mesma gente, como se me efectivamente me interessasse!

Continuando. As férias foram boas é certo mas o facto é que este corpinho Danone conta com mais 3 kilos em cima. E isto é grave, dramático mesmo. Noutra pessoa se calhar não, mas eu tenho uma doença: ausência de força de vontade (é o termo técnico). Ao mínimo deslize, o meu cérebro emite mensagens tipo: "Já não vais conseguir recuperar. Desiste! Ahahah...julgavas que mais alguma vez ías vestir aquelas calças?". E a minha tendência é resignar-me e, simplesmente não voltar a pôr os pés na balança e...convenhamos, isso é basicamente o CAOS. Assim, e como este blog tem funcionado como uma espécie de terapia, vou tentar reverter esta tendência suicida e vou planear aqui uma estratégia, após uma fenomenal reflexão que passo a partilhar.
Pontos prévios: gosto de transpirar q.b. e...vá, gosto de comer!
Hum...o que fazer?
Bom, lembrei-me de um episódio que vi há tempos na Oprah em que um casal com um ar super saudável e enérgico, relatava o que seria o segredo da sua boa disposição e impecável forma: sexo! E, esta minha cabecinha pensou "perfeito!!".
Vamos cá ver: não pago mensalidade; não preciso de sair de casa, nem sequer do sofá; não tenho que ter acessível um cartão magnético, nem fazer e desfazer mochilas de roupa. Não há um dresscode obrigatório e, convenhamos, se há coisa que eu aprecio é, digamos, o acto de fazer o amor.
Retomando a história do casal, se bem me recordo, para a coisa resultar, o acto tinha que ser praticado algumas vezes por dia, não me lembro quantas, mas pelas minhas contas, pelo menos três. Ora, três vezes por dia...encaixando o horário laboral, o tempo para tratar dos afazeres domésticos e da espectacular educação às criaturinhas, isto, significa que tinha de acordar mais cedo, pelo menos 45 minutos, ir todos os dias a casa à hora de almoço e deixar de ver o CSI à noite. Hum... ainda assim, era mulher para alinhar neste plano. A minha preocupação, agora que penso bem nisto, é: e se enjoo?
É que, normalmente, eu enjoo das dietas. É verdade, não posso ver à frente nem maçãs, nem queijo fresco e... a alface dá-me vómitos. E se enjoo do sexo? Isso poderia ter consequências graves na minha vida! É que já me estou a ver na primeira semana, a pôr um check no excel espectacularmente formatado que fiz. E ainda com um sorriso nos lábios... E depois??
"Amorzinho, despe as calças e começa a fazer alongamentos que eu vou só estender a roupa." "Querido, estou com uma gripe horrível há três dias, o melhor é pormos baixa para a semana pois temos de compensar".
(O mais surreal nestes frases são os termos que utilizo para chamar o meu marido. Ele vai-se contorcer quando ler isto.)
Não sei, tenho  muitas dúvidas. Mas ainda não vou pôr de parte esta ideia. Passa a Plano B.
Plano A. Bom, talvez, mas só talvez, possa cortar no pão e queijo que tanto amo.
Hum...era tão mais fácil o Plano B!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

"É a tua última oportunidade para veres as minhas cuecas"

Há momentos na nossa vida em que se faz luz...é nitidamente um cliché barato mas, é que é mesmo verdade! Hoje, éramos 8: 4 adultos e 4 crianças. Quando a minha sobrinha (7 anos), a alto e bom som diz para o meu filho (4 anos), "é a tua última oportunidade para veres as minhas cuecas", eu pensei "talvez não possamos voltar aqui". E, aí, eis que se consolidou uma ideia que há muito flutua na minha mente. Em jeito bem americanado, faz falta a Portugal, a todos os pais desesperados, às crianças (e a muito mais categorias que agora não me ocorrem), uma cadeia de restaurantes familiares. E, porque eu tenho amor ao meu país e tenho compaixão por todos os que passam por este tipo de situações, perdi um bocado de tempo (10 minutos) a pensar nisto.
Todo o conceito gira em torno do bem-estar. Bem-estar dos pais, óbvio. Mas as crianças não saem a perder, não! Então, vamos lá. Pensei em algo circular, envolvendo uma cerca (julgo que acrílico é um bom material). Uma zona insonorizada, cheia de brinquedos e divertimentos e, simultaneamente, espectaculares monitores que dão à boquinha dos petizes, uma fenomenal sopa caseira, seguida de pratos saudáveis e apetitosos. A seguir à frutinha, ou com sorte geladinho (neste Verão, o famoso MAX), todas as crianças são convidadas a entrar em jogos e brincadeiras altamente salutares e pedagógicas orientadas pelos monitores que, em caso de baixa lotação do restaurante poderão, eventualmente ajudar nos trabalhos de casa (e já estou a divagar). E onde estão os pais? Sentados confortavelmente num piso superior, com música ambiente, munidos de álcool e comida de adultos. Não são permitidos babetes, cadeiras de bebé, adaptadores ou carrinhos, não existem birras, sopa cuspida ou frases como:
"Come a sopa";
"Não comas só batatas";
"Senta-te direito na cadeira";
"Queres fazer chichi? Tens a certeza?";
E a minha preferida "1, 2...".
Só se ouvem risos suaves, conversas agradáveis e, tudo num ambiente que emana tranquilidade. Ah! Mas desse piso superior pode-se espreitar para a tal zona circular do piso de baixo, insonorizada e...distante. Mas não é necessário. Cada criança terá uma pulseira identificadora. Qualquer problema (quando digo problema, tem de envolver sangue ou algum membro partido) é accionada uma pequena luz ténue na mesa dos papás que poderão contactar os monitores responsáveis. Poderão. Também podem decidir não o fazer e aguardar pelo final do serão para se enteirarem do sucedido. É um mundo de hipóteses!
Tenho a certeza de que este é um conceito de sucesso...já me vejo a estabelecer critérios para o franchising...mas, parece que é preciso uma coisa....como é que se chama mesmo? Ah...é CAPITAL.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Néstum Figos

Como devem saber, os dados estatísticos demonstram que as mulheres vivem mais tempo do que o sexo oposto. É verdade, quando chegados à velhice, os homens parece que fraquejam (what's new??). Assim, parece-me lógico que os homens devem ter MUITO cuidado. Devem tratar bem as suas mulheres porque, afinal, são elas que cuidarão deles quando os dentes e a genica escassearem. Eu, que sou uma pessoa que gosta de informar e alertar o próximo- sempre com uma atitude pedagógica, claro- de tempo a tempo, e quando o meu marido me irrita, gosto de o relembrar que o poder está do meu lado. É de mim que ele vai depender na velhice. (É agora que gosto de soltar uma gargalhada maquiavélica) Assim, neste fim-de-semana, e preocupada com o bem-estar da minha cara-metade, ocupei a minha mente a imaginar como o tratarei quando ele não tiver um fiozinho cabelo e lhe crescerem selvaticamente pêlos por tudo o que é orifício. Pensei, pensei- atenção, não é a primeira vez que me ocupo destas reflexões- e cheguei à conclusão que, se ele for maroto para a sua menina, eu encarregar-me-ei de lhe dar carinhosamente papinha Néstum Figos por uma palhinha, depois de previamente arrefecida. Julgo ter visto um olhar de terror no meu xuxuzinho. Anda um amor!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Zzzzzzzz

E eis que no fim da férias adoece a minha criatura mais pequena. Nada de grave, uma febre que persiste em aparecer de 4 em 4 horas, fruto de uma constipação. Mas, ai que mói! Não se pode sair de casa, não se pode apanhar sol. O que me resta? Uma neura brutal! Noites mal dormidas, agravadas por dias por preencher. Com sono e pouca vontade, como é que se entretêm 2 crianças, também elas aborrecidas. Ao 4º dia, não há wii, nintendo ou canal nickelodeon que salvem os dias. Felizmente, a tormenta parece estar a passar.
"Como o mano não teve febre, talvez possamos ir à praia amanhã!"- Eu, entusiasmada.
"Não quero ir à praia!!"- Filha empertigada.
"Porquê?"- Eu, espantada.
"Estraga-me o cabelo!"- Filha tresloucada!

Email

Esqueci-me do código da fotocopiadora do meu trabalho. Nem sei porque pensei nisso mas, facto é, que não me consigo lembrar qual a ordem dos 5 digitos...quase no fim das 4 semanas de férias parece-me que este é um bom sinal! Ou será mau? Não sei se estarei em condições de regressar. Será sinal de cansaço psicológico? Confusão mental? Julgo que será mais proveitoso para a minha entidade patronal se eu ficar em casa a recuperar mais uns dias de modo a ingressar já mais motivada e produtiva. Parece-me que tenho material para dirigir um email à minha chefia. Sim. São argumentos válidos.

sábado, 6 de agosto de 2011

Melancia choca

De partida do campo, assumo que sou efectivamente uma moça citadina. Apesar de adorar os aromas, as cores, os sabores… não consigo habituar-me aos ritmos. Não consigo olhar para o céu e adivinhar as horas e o tempo que se avizinha. Não consigo guiar o meu quotidiano pelos tempos dos outros seres que aqui habitam. Mas se há coisa que aprecio são as gentes. As pessoas são genuínas. Das suas bocas saem sábias expressões que são reveladoras das suas experiências e conhecimentos…  há sempre uma história para ser contada. As memórias estão bem guardadas e nada se esquece.

Agora mesmo, o calor levou-me a enfrentar as melgas e fui-me sentar no degrau da porta da casa onde estou há mais de uma semana. Ao meu lado, fazia-me companhia a caseira da quinta. 67 anos que parecem muitos mais; onde cada ruga tem por detrás uma história, uma dor, uma alegria. Já não sei do que falavámos, só me lembro como terminámos. Idade…como o tempo passa. Como é a vida de um casal que se conhece há mais de 30/40 anos.
“Tu és uma menina…eu sou uma velha. Havia tempo que eu o meu marido estavamos no auge da brincadeira!”.
Comecei a achar deliciosa a conversa.
“O homem nunca deixa de ser homem, filha! A mulher… ai, a gente já nem tem posição, nem vontade.” Mas o que eu adorei mesmo, o que me levou a partilhar esta história tão privada de alguém que faz parte da minha vida ainda era eu, aí sim, uma menina, foi o seguinte diálogo:
“Há dias, o meu marido dizia: parece que tou a foder uma melancia choca. E eu respondi: Então vai buscar a melancia!”
Se isto não é amor…

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Urticária

Eu, que sempre fui adepta dos telejornais, sou cada vez mais aversa ao jornalismo actualmente praticado. Não suporto as constantes repetições e as notícias fabricadas, como se fosse preciso encher uma hora de programa televisivo, a todo o custo. A falta de notícias- julgo que é disso que se trata- não deveria passar por uma redução da duração do respectivo programa? Em vez disso, temos de apanhar, desculpem a expressão, com entrevistas a criancinhas de 5 anos, que são questionadas sobre assuntos que não entendem ou directos numa oficina que foi assaltada na manhã do dia anterior!? E já nem falo das reportagens (que, na minha opinião, não lembram a ninguém) com dois- à falta de melhor designação- jornalistas que, em pontos equidistantes do país, falam um para outro, sobre o sítio onde dormiram ou o que comeram. Sou eu que hoje estou embirrenta, ou a mais alguém interessa a espectacular reportagem que compara as sardinhas que uma família come no parque de campismo onde passa férias e a lagosta que outros desconhecidos degustam? “A senhora não preferia ir para um Hotel?” Resposta “Ah…não! Aqui sou mais livre!!”. Porcaria por porcaria prefiro ler as revistas cor-de-rosa que sempre dão conta os amores e desamores de Verão dos conhecidos!! Argh!

Nota: Num futuro próximo conto escrever sobre os programas de Verão que me causam urticária, cuja melhor expressão, é o actual “ Rir é o Melhor Remédio”, onde são transmitidos skechs de 1980, onde filandeses pregam partidas a outros, envolvendo um supermercado, um polícia e fruta.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Escaravelho

Eu devia ter percebido que as coisas não estavam bem quando a minha filha esmigalhou violentamente um escaravelho da areia com uma raquete de praia. O homicídio ocorreu num misto de terror e desejo feroz de tirar a vida a animal nunca visto. E eis que surge a questão: Porventura não estarei a proporcionar aos meus filhos experiências com a natureza em quantidade e qualidade razoável?

Depois de uma semana de praia (onde ocorreu o trágico “acidente”) segue-se então, uma semana no campo. E, eis que aqui estamos na quinta dos meus sogros, no Redondo, Município de Évora. E… são outras crianças! A Nintendo e os b-blades (nunca sei escrever isto) ainda não sairam das mochilas e é vê-los todo o dia na rua a brincar com os cães e gatos, a dar biberons às ovelhas recém-nascidas e a correr pela relva. É certo quer permanecem resquícios da vida citadina. Ontem, ao ver nascer gatinhos a minha filha não conseguiu conter um “que nojo”… mas, de facto, tenho de admitir que faz muita falta às crianças e a qualquer ser humano o contacto com as coisas no seu ambiente mais natural. Comer frutos das árvores, correr atrás de ouriços, pisar a terra molhada… e as estrelas? “Porque não há estrelas no céu no sítio onde moramos?”
Há, de facto, qualquer coisa na vida do campo que me fascina. Mas, não é assim uma grande admiração pois o entusiasmo não dura muito tempo. Eu sei. Aborreço-me muito facilmente.

sexta-feira, 22 de julho de 2011