domingo, 30 de outubro de 2011

100º

Pois é. Parece que este é o 100º post aqui da menina!
E só para assinalar este marco, não vou "dizer" absolutamente nada!

:)

O fim da praceta

Há dias em que as saudades da minha infância/adolescência/juventude se fazem sentir.
Tudo se resume a uma palavra: praceta. Parece algo simples ou insignificante mas não é. De todo! Acredito mesmo que o desaparecimento deste conceito, mudou radicalmente o modo como as crianças,  adolescentes e jovens têm vindo a crescer e a formar-se como pessoas.

Praceta era sinal de liberdade, de desafios, de brincadeira, de muito disparate mas, simultaneamente, de responsabilização, de amadurecimento... era uma oportunidade. A oportunidade de crescermos entre os nossos pares, de criarmos laços. Se há coisa que me recordo é de dizer aos meus pais, em jeito de grito, "vou para a rua". Ouvia, ao longe, um "não venhas tarde"! E assim se passavam finais de tarde, noites e quase três meses de férias escolares. Haviam umas quantas vizinhas que passavam os dias espreitando-nos pela janela, encarnando a figura de vigilantes. E sob a mesma responsabilidade, as crianças mais velhas cuidavam das mais pequenas. Lembro-me de pegar ao colo o Rodrigo. Ele tinha 4/5 anos e morava no 5º andar. Quando queria ir para casa, pegavamos ao colo o seu corpito moreno e ele tocava à campainha. (Hoje o Rodrigo é jogador profissional de futebol, tem 1m80 e dois filhos...).
Lembro-me de vender banda desenhada e brinquedos no passeio, recordo-me de "pedir emprestado" bolicaos e gelados na mercearia e do sorriso da dona que fingia não ver... Jogar aos polícias e ladrões riscando a estrada com caminhos de giz.  Não conto as marcas que ainda hoje tenho nas canelas fruto das quedas que dei de bicicleta quando percorria o circuito do estádio nacional. A adrenalina sentida ao descer a Carris em carrinho de rolamentos. E a fruta? Tanta fruta...tanta árvore...tanta corrida que demos! Tive uma infância muito, muito feliz. E uma adolescência que seguiu os mesmos passos, face a esta oportunidade de sair debaixo do nariz dos meus pais. A juventude... essa, foi ainda mais... diria interessante. Não poderei nunca esquecer quando, com a boca cheia de farinha, dizíamos aos moços entregadores de pizza que não tinhamos visto quem é que tinha tirado o que tinha ficado na moto... Os namoros e namoricos, as festas - ai as festas! Recordo-me especialmente de uma. Tinha 15 anos e o combinado era uma festa pijama de meninas. Nem sei como os nossos pais nos permitiram... (acho mesmo que supliquei). Casa vazia e sacos cama... era o que nos bastava. Ou não!  As fotos que ainda hoje guardo mostram-nos a lavar a cabeça no lava loiça da cozinha agarradas a  garrafas de moscatel. Obviamente que foi daquelas noites memoráveis. Bastou a mãe da amiga que emprestou a casa aparecer e encontrar dois rapazes dentro de um armário para nunca mais ninguém esquecer este dia. 
Não tenho energia para descrever os episódios que vivi. Alguns não poderia nem sequer aqui contar. Alguns já nem devia ter contado...

Sempre na praceta, sempre com a amizade, união e protecção de um grupo que até hoje se mantém. Com chuva, calor, com testes ou outros constrangimentos, em férias ou em tempo escolar, as tardes, os finais de dia e as noites eram passadas em grupo. Assim crescemos. Assim, aprendemos a escolher o caminho certo ao invés do errado... às custas, na maior parte das vezes, da dureza das consequências dos nossos actos.
Hoje, os meus filhos brincam com os filhos desses mesmos amigos com quem tantas histórias partilhei. Mas as brincadeiras são diferentes.
Estão sob a nossa asa e, apesar da segurança, apesar do confortável que é esta postura que hoje em dia impera, não sei se é o melhor. Não sei se não preferia que pisassem uns quantos riscos, que cometessem umas pequenas loucuras... iriam saber o que era um amigo voltar para trás. Iriam saber o que é um amigo dizer que foi ele quando fomos nós. Creio que com o "fim da praceta", o sentimento de pertença mais dificilmente é alcançado. Sentido verdadeiramente.

E eu sei porque é que estas memórias foram reavivadas hoje.
Ontem saí à noite. Ao contrário da maior parte das histórias de juventude, esta não foi uma prática comum no nosso grupo. Sempre optámos por outro tipo de diversão. Agora em adultos, esta hipótese de vez enquando é seleccionada. Mas, a idade já se faz sentir (!!!). A música já parece muito alta, a luz confunde e as lentes de contacto, secas de tanto fumo, acabam por potenciar o nosso sono. Ontem já não dançava. O meu corpo reagia ao movimento dos outros corpos. Quando acordei hoje, esta sensação ainda não tinha desaparecido. Quando chegaram os meus filhos com a energia que eu não tinha, questionando se íamos andar de bicicleta, jogar à bola ou qualquer outra actividade envolvendo movimento, eu e o meu marido, partilhando olhos à Garfield, suplicámos em silêncio. Desejámos que ainda se vivesse na era da praceta e eles nos dissessem "vamos para a rua". Eu responderia, de bom grado, "não venham tarde"! Mas esses tempos acabaram. E é a nós e às nossas casas altamente equipadas que cabe o papel de preencher esse vazio.

E quando alguém me dizia há dias "vocês vivem demasiado para os vossos filhos", eu apetecia-me devolver a resposta com uma pergunta "mas existem alternativas?"

Ainda hei-de responder.

Vegetando

Domingo.
11h15.
Cama.
Silêncio.

Não peço mais nada.


Quer dizer... se alguém me pudesse trazer um sumo de laranja natural e um scone...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Combinação perigosa

Estava aqui a reflectir que se calhar era melhor os cidadãos portugueses não se aventurarem por terras do continente americano.
Nunca tinha pensado nesta associação até porque já fui a alguns países lá para aqueles lados e nunca senti nada de extraordinário... negativamente falando. Mas considerando os acontecimentos dos últimos tempos, começo a ter dúvidas. Senão vejamos. Um português vai aos EUA e empunhando um saca rolhas, trata da saúde a um velhinho.* Por outro lado, outro português, residente no Brasil, saca de uma pistola e dá cabo de uma velhinha!* Recuando alguns aninhos, recordo-me ainda de outro português que levou à américa do sul outros tantos portugueses- quase velhinhos- e o que é que fez? Mandou-os matar, enterrar e tapar com cimento.*
Que raio? Que instintos assassinos desperta  a América no nosso povo?
Agora pensando bem, eles -os americanos- sabem!
Lembro-me de no aeroporto JFK ter respondido a um extenso questionário que me obrigava a declarar uma lima das unhas. Também no México me abriram a mala e revistaram tudo o que era bolsos da minha roupa. E se bem me lembro foi no Brasil que me desapareceu uma mala. Era já um adiantamento sobre o que eu poderia fazer...
Pelo sim, pelo não, nos próximos tempos não vou para esses lados. Pode baixar em mim uma serial killer e depois é uma carga de trabalhos.

*Alegadamente... agora não me dá jeito nenhum um processo judicial por difamação.

Expectactivas

Hoje acordaram especialmente animados. As actividades programadas para a tarde incluíam "saltar nas poças". Tratei com toda a seriedade da indumentária. Saquinho com calçado alternativo e galochas catitas.Os sorrisos foram fáceis, fáceis.
Quando espretei pela janela ainda escura o meu sorriso desvaneceu e adivinhei o pior.
Não choveu.

Tivesse eu uma mangueira...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

BLANK

Aos 33 anos (quase, quase 34) chego à conclusão que, nesta vida, a maior das proezas é, simplesmente, ter a capacidade de esvaziar a mente. Deliberadamente, não ter pensamentos. Alcançar o vazio.
Quem o consegue sem recurso a drogas ou estados de semi-consciência obtidos de forma espiritual tem, sem sombra de dúvida, um dom inestimável.
Acho mesmo que, devidamente comprovado, devia ser mencionado em currículos e entrevistas de emprego- Aptidões e Outras competências: Domínio comprovado da capacidade de abstração.
Quiçá, em início de relacionamentos. Tipo: "Fazes o quê? Consegues abstrair-te com facilidade? Ah...como é que te chamas mesmo?".

Tenho dito.

Da cama para a cama

Hoje, acordei às 4 da manhã. Pronta para a vida. A escuridão manteve-me no conforto que só a minha cama me oferece. Planifiquei mentalmente o resto da semana onde se incluem dois dias de labuta, mais dois dias de trabalho não remunerado e vá...algum lazer. Actividades escolares e lúdicas, treinos, saída de adultos e afins... roupas, ementas, compras, conversas, blábláblá...tudo pensado. Às 6 e pouco, como habitual, iniciou-se todo um rol de tarefas que podiam, perfeitamente, ter sido desempenhadas de olhos fechados, tal é a interiorização. Durante o dia, o empenho direccionou-se para múltiplos objectivos. Cumprir o estipulado, avançar um pouco mais. Telefonar à mãe, agradecer ao irmão, telefonar à amiga. Responder aos emails. Consolar um lado. Consolar o outro lado. Não interferir. Ouvir. Trabalhar, trabalhar. Comer e rir. Dizer parvoíces. Dizer coisas sérias. Afastar pensamentos. Aproximar novamente pensamentos. Ousar.
Trocar de roupa. Combinar logística do final do dia.
Correr. Correr. Correr.
Às 19h00, carregava nos meus braços molhados do esforço: casaco, mala, saco com roupa de trabalho, saco com compras, botas (abandonadas em detrimento dos ténis), chapéu de chuva (grande) e chapéu de chuva (pequeno). Ao meu lado criança pequena levava mochila.
Iniciou-se, então, novo ciclo. Banhos diversos. Roupas sujas. Roupas lavadas. Roupas para dia seguinte. Mochilas desfeitas e verificadas. Mochilas refeitas. Recados assinados, lanches preparados. Conversas cruzadas e jantar nos pratos.
22h00. O silêncio reina e compensa todo o esforço. Os meus dedos pressionam as teclas com uma destreza rara. Sobre os meus braços pesam duas cabeças pequenas. No meio da minha cama, estou eu. De cada lado, tenho um filho. Dormem. E eu não.
Estou sozinha e encurralada. Mas não importa. No meio de tanta rotina, tantas regras e obrigações, dou graças por estes pequenos, grandes prazeres.


Já não são os meus bebés. Mas são. Hoje são.
Estou sozinha. Ou não.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Teimosias

23h00

De regresso de um treino de 10 km, o balanço não é dos mais positivos.
Tudo corria bem. Bom ritmo, temperatura showbiz, poucas pessoas... mas, eis que ao 8º km, sensivelmente, algo se deslocou nas minhas costas. Não sei se voltarei a ser a mesma. Dura que nem uma tábua e com dores a roçar o insuportável continuei até ao estipulado. Mais devagar é certo. Sem mexer o tronco é certo. Mas 10 km concluídos.
Eu sei que o lema devia ser "pelo prazer de correr", mas a minha satisfação advém de conseguir, de alcançar, de superar. Não sei se voltarei a mexer o lado esquerdo do meu corpo... mas isso são pormenores!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Marco quê?

Todos os dias, nas milhentas voltas de dou, acabo sempre por passar bem junto a um marco geodésico...
E, em cada uma dessas ocasiões, os meus filhos me perguntam de que se trata. Quando ainda não tinham ultrapassado os quatro anos de idade, eu deslumbrava-os com a história de um foguetão estacionado. Mas, a minha consciência começou a pesar-me à medida que as suas idades faziam-se acompanhar de uma maturidade que não se compadece com este tipo de explicações.
E assim, hoje, e após repetição da pergunta, acabei por ir ao Google. E a explicação é fácil, fácil:

"É um sinal que indica uma posição cartográfica exacta e que forma parte de uma rede de triângulos com outros vértices geodésicos. São escolhidos sítios altos e isolados com linha de visão para outros vértices.
A rede geodésica portuguesa é formada por vértices geodésicos que se dividem em três ordens de importância:
  • 1ª Ordem - pirâmides distando 30 a 60 km
  • 2ª Ordem - cilindro + cone listados distando 20 a 30 km
  • 3ª Ordem - cilindro + cone distando 5 a 10 km"

Estou muito mais descansada. Amanhã quando passar lá novamente, vou explicar com clareza que o foguetão permanece avariado e, aguarda o respectivo arranjo que só será possível após recuperação financeira do nosso país. Estou disposta até, a encetar toda uma explicação acerca da actual conjuntura que envolve uma recessão económica cuja resolução, a curto prazo, se afigura dificil. Poderei eventualmente mencionar o facto da subida exponencial das taxas em vigor representar um impacto negativo directo no poder de compra dos cidadãos, aspecto que contribui grandemente para a estagnação do mercado. Só quando apostarmos na produção nacional e marcarmos uma posição no sector das exportações, daremos os primeiros passos para recuperar económica e socialmente. E aí, sim, estaremos em condições de mandar vir alguém arranjar o foguetão que está estacionado para os lados de Carnaxide, vai para alguns anos.

Toma lá ó Google!!!




sábado, 22 de outubro de 2011

Massacre, com dois "ss"


A Maria tem 3 galinhas.
A primeira e a segunda põem 10 ovos por semana.
A segunda e a terceira põem 14 ovos por semana.
A primeira e a terceira põem 12 ovos por semana.
Quantos ovos põe cada galinha?

Resolve e explica por palavras, esquemas e números como chegaste ao resultado.


E basicamente isto resume o meu fim-de-semana. Dois dias que antecederam testes da 2ª classe e que me levaram a um estudo intensivo sobre matérias que envolveram galinhas, dentição, fases da vida e calendários. Com isto não estou, obviamente, a contar com a diferença entre "s", "ss", "ç"/ "r", "rr"/ "ch", "x" e afins.
Ah... e as diferentes técnicas para somar e subtrair, envolvendo a tabela dos 100 e diversos dedos debaixo da mesa.
Minha nossa!!!


Já não nos bastou estudarmos anos e anos, queimarmos as pestanas como ninguém, aperfeiçarmos a arte de bem copiar ou mesmo inventar com muita confiança e agora...volta tudo ao início.

E se calhar tem mesmo de ser... afinal... ainda tenho dúvidas acerca das galinhas...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Eles surgem com uma cadência de 5 minutos e farão toda a diferença

Pois parece que o mundo termina amanhã. E eu estou aqui angustiada porque não sei o que vestir. Sim, eu não vou partir para outro mundo em desalinho. Não é com uma calcinha de ganga e tshirt qualquer que serei recordada! Pensei numa saia ou vestido, mas sei lá se o culminar deste mundo não envolve uma explosão ou fenómeno similar passível de influenciar a minha pose final. Não me estou a ver de saias para cima num canto qualquer. Tenho de estar impecável. Sim, eu já pensei na minha morte. Eu sei que é macabro, eu sei que é esquisito mas eu já deixei de tentar convencer as pessoas que sou normal.
Confesso que já imaginei, em pormenor, como seriam as minhas cerimónias fúnebres. E já deixei instruções muito específicas ao meu marido que, não sei porquê, não me leva a sério. Já o informei que espero, no mínimo, duas ou três simulações de desmaio. Para gritos não há limites. É à vontade. Claro que as lágrimas terão de jorrar e no momento em que todos se despedirão de mim, espero que se atire de joelhos em jeito de desespero e dor.
Por outro lado, e porque quero partir em grande, já dei igualmente instruções a amiga próxima para a contratação de figurantes. Não quero uns figurantes quaisquer... só para fazer número. Não! Quero homens LINDOS e que saibam representar. Com uma cadência de 5 minutos, surgem no local onde descansarei para sempre e deverão chorar desalmadamente chamando-me diversos nomes. Não quero nomes fofinhos e queridos. Quer nomes que indiquem paixão! Não são precisos muitos destes espécimes. Bastam 4 ou 5 para o impacto que quero causar. O espanto e surpresa do meu marido, seguidos de raiva farão com que me esqueça rapidamente. Conto que, após um ano ou dois de ausência, seja capaz de sair de depressão profunda e olhar para outra mulher.  Tadinho. Eu quero que ele seja feliz mas...que nunca se desfaça do pequeno altar que fará para mim. Ah...estou mais tranquila! Está tudo assegurado. Sim, porque o mundo não há-de acabar para toda a gente, assim de um momento para o outro. Não há capacidade para gerir tantas baixas. Isto terá de ser por fases.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Quero, posso e mando. Ou não...

Pois parece que tenho feito algumas coisas mal. Estou incrédula!
Entidade supostamente superior deixou escapar algumas reticências ao meu relato do dia-a-dia de mãe. Ouvi palavras como exigência, controlo, teimosia e...capricho. E engraçado...nesta mensagem, notei alguma carga negativa! Então mas, afinal, quem é que manda? É que isto muda um bocadinho a minha visão do mundo.
"Ah, mas não vai mudar a sua maneira de ser!"
"A sério?!"- Também não planeava fazê-lo!!!
A conversa demorou. Supostamente era sobre outrem e passado 5 minutos, eu estava bem no centro da reflexão. É que dei por mim a justificar-me. E isso aborreceu-me!
Eu autoritária?!? Tudo bem, sou um bocadinho. Deve ser por causa desse meu traço da personalidade que ainda hoje o meu pai me responde com um "sim, general". Mas qual é o mal? Eu apenas gosto de orientar! Isso é positivo, certo?

Estou confusa.
Se eu estivesse totalmente certa, não tinha estado alí sentada 1h40.
Parece-me que afinal tenho de "dar espaço", "ceder", deixar que outrem "tome as suas próprias decisões"! Isto soa-me tãoooo mal. Eu tomo tão bem decisões pelos outros. Eu sou óptima a tomar decisões... porque eu é que sei o que é bom!

Vou tentar. Por uns tempos. Por uns dias. Por uns minutos.

Estou mesmo a ver os meus papás a dizerem aos seus cinco filhos (em idades que não ultrapassam os 7 anos) "Sim, podem escolher as vossas próprias roupas. Sim, podem ir com calças de fato de treino e camisa para a escola. Não, não há problema se os TPC's forem para a escola com erros. Sim, podem não conseguir estar quietinhos à refeição." Mas existe a hipótese de não estarem sentados à refeição??? Mas há alternativas?

Se calhar vou tentar só por uns segundos.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Pequenos leões


Sou, por natureza, uma mãe despreocupada e prática...não sou de correr para o hospital, não sou de comprar manuais escolares para férias, não desinfecto todos os objectos onde tocam e aprecio quando chegam a casa com os joelhos encardidos e unhas escurecidas. Gosto dos seus sorrisos, das suas gargalhas e dos disparates que dizem. Gosto de rir com eles. Gosto quando olham e falam comigo como se eu tivesse a idade deles.
Não vivo obcedada com o ultrapassar de etapas e não tenho por hábito comparar notas, percentis e afins. 
São os meus filhos e destranco-lhes a porta do carro todos os dias para que, carregando a mochila, entrem sozinhos no portão da escola. O meu maior prazer é vê-los ganhar autonomia e confiança...porque sei que é disso que vão precisar no futuro. Confiança para agirem conforme o seu discernimento e segurança para lidarem com as consequências de cada uma das decisões tomadas.  Estarei sempre perto mas  não pretendo levá-los ao colo.
Há alturas, no entanto, em que é inevitável a preocupação. Há alturas em que o meu sorriso não é fácil. Ou pelo menos, não é espontâneo. Sorrio por eles.

Todos os dias os meus filhos sopram estas flores que estão à nossa porta. Pedem desejos. Coisas pequenas. Coisas inocentes. E eu desejo por eles. Desejo o melhor. O infinito do melhor.


Comunhão familiar




21h00- A união, o diálogo, as gargalhadas e histórias partilhadas... até fico emocionada!

Digam lá se não é espectacular?


Números e estrelas

Querida mamã,
Querido papá,
Chegou a altura de começarem a cumprir as vossas promessas.
Durante anos e anos disseram-me- asseguraram mesmo- que quando ganhassem o Euromilhões partilhariam com os vossos 5 filhos. Eu não quero saber se ainda não acertaram nos números e nas estrelas. Não tenho nada a ver com isso. Eu quero é o meu dinheiro.
Se não conseguem acertar no raio do jogo, o problema é vosso. Arranjem alternativas.
Não se fazem assim promessas em vão.

Anónima ou não...

Ontem fiz os meus primeiros 10 km oficiais. Com inscrição, dorsal com o meu nome, chip e t-shirt laranja. O percurso era muito bom, o tempo estava a nosso favor e o acolhimento nesta primeira corrida foi fora de série.
Mas devo confessar que isto de já não correr de forma anónima tem o seu quê de pressão. No meio de quase quatro mil tshirts brancas, as laranjas acabam por chamar um bocadinho à atenção...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Dona Helena, escusa de voltar

Eu tenho evitado assistir aos telejornais. Prefiro ler as notícias no écran do meu computador pois o impacto é menor. Não existem pausas, não vejo olhares graves, não vislumbro expressões de pânico. Há qualquer coisa na imprensa escrita que me acalma. Mas esta estratégia já não vale nada. As notícias faladas ou escritas atingem uma gravidade que já não posso ignorar.
A viagem à neve já foi cancelada.
D. Helena, escusa de voltar do Brasil pois eu já encarno a Isaurinha todos os dias.
Já planeei a ementa para a semana. Massa com aroma de carne para segunda-feira, massa com aroma de peixe para terça-feira, frango na quarta, canja com os restos de frango para quinta-feira e para sexta-feira, uma extravagância: massa com tomate e...azeitonas!
Alguém já disse hoje para nos concentrarmos nos três "s". Sorte, Saúde e Sexo. Como só consigo controlar a terceira vertente vou apostar nisso. Não sei se me fico pelo sexo caseiro ou se monto mesmo um negócio. Pelo sim, pelo não já dou pelo nome de Cindy.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Eu? Sem jeito? Completamente infundado!!

Acabou às 21h30 de hoje a 6º reunião de pais. Sim, 6ª! Por cada filho, tivemos três reuniões. Recepção aos alunos e encarregados de educação, reunião com educadora/professora e reunião com ATL.
Hoje, foi a reunião do ATL da criatura mais crescida.
Entre a apresentação do Plano Pedagógico, das actividades e projectos, houve lugar a entoação de canção e algumas risadas provocadas por gaffe que estou proibida de contar... 
Mas o momento alto da noite foi o desafio que a minha filha tem vindo a deixar escapar... vestimos o papel de cozinheiros na actividade eleita pelos mais pequenos: Mini MasterChef.
A minha filha disse-me que era melhor ir só pai porque eu não ía ter muito jeito...
Pediram-nos para levar uma peça de fruta. Já ofendida pela desconsideração, e em jeito de provocação, levei algo diferente:



Revelou-se inadequado quando a tarefa era fazer espetadas de fruta...
mBom, mas a verdade é que a ideia era experimentarmos uma das actividades que os miúdos gostam mais de fazer. E tiveram sucesso. Mas eu nunca tive dúvidas. De uma equipa de amigos e excelentes profissionais não podia resultar uma coisa diferente.
Obrigada!


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Sombras, cheiros, ambiente...

Palácio dos Aciprestes, Linda-a-Velha



19h00: Pés na areia.
O meu parque infantil de eleição.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

"Fornicar Amor"

Eh pá! Hoje circulava no Facebook um texto que me deixou de boca aberta. Assinado por Pedro Chagas Freitas, disserta acerca de... como definir?... fornicar... fazer amor e... fornicar amor. Brilhante. Demonstra este senhor ser dotado de uma capacidade excepcional. A de transcrever para palavras aquilo que considero ser uma sabedoria. Para quem não leu, deixo aqui um breve excerto:
"Fornicar é uma ordinarice. É o sexo pelo sexo, o corpo pelo corpo, o suor pelo suor. Sem a magia da comunhão, sem a intensidade emocional da emoção do fundo, da emoção que vem das veias como o grito vem da garganta. Fornicar sabe a carne na carne, a reles pénis em reles vagina. Fornicar é dois corpos que se esfregam. Uma masturbação assistida. Uma partilha insistida."

"Fazer amor é uma seca. Um tédio. Uma canseira psicológica. É sempre mais do mesmo. Um abraço aqui, um beijo ali, um “amo-te” aqui, um “também te amo” ali. Há carinho, há ternura, há partilha, há cumplicidade. Mas é poucochinho. Coisa pouca quando se pretende o êxtase."

"Nem fornicar nem fazer amor – fornicar amor. Fornicar-te como à mais prostituta das prostitutas. E amar-te como à mais única das amadas. Fornicar amor. Chamar-te pêga e dizer-te amo-te, espancar-te o sexo e afagar-te o beijo. Ser o doce e a fera - a treva e o raio."

Eh pá! (Repito) Há muito tempo que não lia um texto com tanto prazer. Com tanta sensação de identificação. Ser o doce e a fera...acho que é a expressão que melhor define aquilo que estabeleço como ideal. Uma combinação de sentimento com desejo. Não vejo a coisa de outra forma. Não concebo uma relação diferente. Talvez porque olho para os lados e vejo realidades que não me agradam. Fretes, rotinas, desculpas esfarrapadas... ultrapassa a ausência de desejo. O cumprimento de uma obrigação onde o prazer é unilateral. É assustador. Mais, é triste.
Fornicar é mecânico, fazer amor é chato. A combinação dos dois é maravilhosa.
O título deste texto é CARTA À MULHER QUE VOU LEVAR PARA A CAMA. Acredito piamente que esta é uma mulher que sorri, sorri muito. Tal como eu!...