terça-feira, 8 de novembro de 2011

Licencinha

Há diálogos entre pais e filhos simplesmente maravilhosos. Os assuntos, as questões... a partilha subjacente a estas interacções é de uma riqueza indescritível.

Hoje, foi assim:
- Mãe, o que é "com licença"?
É... por exemplo, pedir a alguém para nos deixar passar.
- Não! Quando damos um arroto!
(Silêncio) Queres mais arroz?

Débito directo em conta

Eu gosto do pessoal das finanças. Gostam de me divertir. De me apanhar distraída. Contribuem, até, para que o meu dia-a-dia seja mais emocionante. Qual rotina?? Ora chegam via email, ora via correio... as execuções fiscais, quero eu dizer. Pois que, em duas semanas, duas semaninhas só, já recebi indicações (é o termo simpático) para pagar duas multas. Da primeira vez...dia 4... tive de ir à repartição da minha morada fiscal. Hoje, dia 8... muitooo tempo depois... foram mais simpáticos e enviaram-me a respectiva referência de multibanco... Com esta cadência, espero no dia 12 receber uma notificação via sms para pagar nova multa. Vejam lá é se mudam o ano. É que os dois papelinhos que recebi eram de 2008. Quando é que passam para as cobranças respeitantes a anos mais recentezinhos??
Bom. Sabem que sou uma moça que gosta da sua emoção. Vou aguardar que me surpreendam.
No entanto, eu sugiro, queridos senhores, que tratem, doravante, a coisa de forma mais expedita.
Tirem-me logo o dinheiro do banco! É à vontade!

domingo, 6 de novembro de 2011

Compulsão mas nem tanto

Não sei bem porque comecei, verdadeiramente, este blog.
O desafio partiu de outrem. Talvez por eu ter sempre uma história para contar, um episódio inusitado, algo para dizer. Sei que, se não fizesse sentido, seria uma brincadeira temporária e sem grande impacto na minha vida. Facto é que acabou por se tornar uma necessidade. Um prazer. 
Gosto de escrever. Sempre gostei. Mas o que gosto mesmo é do impacto que provoco junto de quem tem a paciência de ir espreitando aquilo que por aqui vou dizendo.
Mais do que as visitas e seguidores, mais dos que os comentários, importa a reacção de cada um que se dirije a mim. É isso que alimenta, verdadeiramente, esta compulsão. Que se riram até às lágrimas, que choraram, que se identificaram... até aqueles que me perguntam se determinado episódio realmente aconteceu... foi essa interacção que levou-me, a pouco e pouco, a quebrar a regra sagrada do anonimato que primeiramente me deu "cobertura" para começar. No entanto, são duas condições que não se revelam propriamente compatíveis entre si. Mantendo o anonimato dificilmente chegaria às pessoas de quem gosto. Pessoas cuja opinião muito valorizo. Pessoas que por fazerem parte da minha vida, acabam por ter aqui as suas próprias linhas. Por outro lado, o facto de saberem quem sou, inibe-me de, em determinados momentos, expor aquilo que me vai na alma.
São muitas as mensagens que começo e acabo por apagar. As letras e as palavras amontam-se na minha cabeça. Anseio por escrever. Anseio por partilhar pensamentos. Mas nem sempre posso.
Mas, efectivamente, é assim que deve ser. Existem coisas- pensamentos, sentimentos, sensações, angústias, alegrias- que são nossos. São íntimos. E o lugar da intimidade não é aqui. O lugar da intimidade, quanto muito, situa-se no olhar que partilho com aqueles que são meus.  Aqueles que sabem distinguir o meu sorriso sincero e o meu sorriso... Aqueles que evito e, simultaneamente, procuro quando algo me preocupa. Aqueles que ouvem as minhas palavras, mesmo que também as leiam.
Esse é o lugar da intimidade.
Da minha intimidade.

Mas alguma coisa tenho que partilhar... hoje, partilho uma música. Não é sobre mim, mas...podia ser.

http://youtu.be/7GyMfoAhksI

sábado, 5 de novembro de 2011

Vou pedir amizade a este senhor no FB. Tá decidido.

Pois parece que existe um senhor que desabafou no FB que não conseguia adormecer a filha de dois anos. Parece, mesmo, que mencionou um certo desespero no seio do lar. O impacto do seu testemunho sob o título "Go the fuck to sleep" levou-o a transpor a experiência para livro. Diz-se que o sucesso tem sido brutal mas, aconselham: a obra não é para ser lida aos filhos e só deve ser lida por pais com grande sentido de humor.


Dia 11 de Novembro este êxito do mundo literário chega a Portugal. Quero ler. Cheira-me que partilhamos algumas ideias.


A menina fala na terceira pessoa...

A menina não tem medo da chuva.
A menina não deu a volta para trás.

A menina não se deixa intimidar.

A menina pensa em tudo.


A menina vestiu dois impermeáveis, enfiou capuz e "fez-se à estrada". Nem cinco minutos depois, os pingos pararam. O sol apareceu.
E o que aconteceu à menina espertinha? Morreu lentamente de calor com o plástico molhado e aquecido colado ao corpo. Mas será que a menina desistiu?

Não!

A menina é muiiiiito teimosa :)

Devagarinho

"Mãe, hoje é de manhã?"
"Os piratas nasceram primeiro do que os dinaussauros?"
"Como eu que se escreve Shakira? Quero procurar músicas naquilo que tem dois O's".
"Mãe, isto não é jogar à bola. Estamos a jogar com as mãos. É ragueby!!!"


Se eu não responder continuadamente e fechar os olhos, será que eles acreditam que eu adormeci novamente?

Só preciso de mais 10 minutos. Vá, 15...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Passa a outro e não ao mesmo

Pois que, num dia só, fiz um périplo pela Repartição de Finanças e pelo Instituto de Segurança Social.
Do melhor!
No primeiro, a senha que retirei no r/c mal me deu tempo de chegar ao 3º andar. Objectivamente, subi as escadas a correr. Do outro lado do balcão alto estava senhorita com menos metro e meio que, basicamente, não me deu informações nenhumas. Alí era mesmo só para pagar. Execuções ficais: bahhhh! Porque é que tenho uma coima por passar a portagem sem pagar, datada de 2008? Não sabemos! "Terá de se dirigir a outros dois organismos..."
Já no espectacular serviço de segurança social, o meu marido, que aguardou pacientemente mais de duas horas empunhando o meu cartão do dito instituto, teve quase de tirar sangue para comprovar que cohabitava comigo. Saí a acelarar de Algés para me apresentar fresquinha em Paço de Arcos à senhora que levantou as sobrancelhas perante a minha pessoa. Se olhou para o meu cartão do cidadão? Não. E informações espectaculares? Não deu.
"Vou enviar o seu processo para os serviços centrais".
Eu (ingénua): "E como é que eu sei qual o andamento dado ao assunto?"
"Ahhhhhhhh". Levantou novamente a sobrancelha. "Isso agora...é ir vendo"
O que eu gosto de ser elucidada.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Amigos Run4Fun


‎3 dias- 25 km.

Sei que para os vossos ritmos, para a vossa energia e resistência, este é um pequeno marco. Para mim, contudo, significa muito mais. Representa um enorme esforço. Esforço de quem nunca fez desporto a sério, esforço de quem carrega peso a mais do que o seu corpo devia suportar, esforço de quem deixa os filhos a dormir e esforço de quem enfrenta a noite e luta contra a tentação do conforto do lar. Nunca é fácil. Ainda não corro por prazer. No momento em que corro o esforço inibe-me de sentir as alegrias que adivinho que existem mas, quando o relógio apita e cumpro o objectivo que estabeleci, a satisfação é imensa. Incomparável.
Porque resisti, porque alcancei e porque, a pouco e pouco, vou-me ultrapassando. Essa é a minha verdadeira alegria!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Mais de 5 amigos em comum? Existe fundamento para a amizade!

O que eu gosto de uma bela discussão! O que eu aprecio ver umas quantas caras a ficarem vermelhas, gente a roer unhas e rabos a ajeitarem-se nas cadeiras. Hoje, em pleno almoço cá em casa, um certo casal começou a dar os primeiros sinais de incómodo e eu, como boa amiga e anfitriã que sou, alimentei as quezílias...
O tema é recorrente... Facebook! Tudo porque um amigo do meu convidado pediu a amizade da sua mulher. O cerne da questão assenta no facto, de não se conhecerem de lado nenhum. Falo do amigo e da mulher do meu convidado.
Vamos lá ver uma coisa. Não há limites para a amizade! Estou ou não estou certa?
Qual é o mal?? Se é mulher do seu amigo, pode vir a ser sua amiga!! É como se já fossem! É uma questão de formalizar a coisa! O meu amigo estava incrédulo e eu não percebo porquê? Se existem mais do que 5 amigos em comum, para mim, existe fundamento para a amizade. Temos 5 amigos! Partilhamos conhecimentos, simpatias e eventualmente gostos e modos de vida! Seremos, com toda a certeza, bons amigos! Não vejo problema algum.
Obviamente que, neste caso em particular, conhecendo eu o amigo em questão, exerci toda a influência para que se efectivasse a ligação. Nós não sabemos o dia de amanhã. Não devemos fechar portas. Quem sabe se no futuro não precisaremos de um ombro amigo. Um ombro lindo, forte, interessante...
Amiga, eu não te quero influenciar, mas...



domingo, 30 de outubro de 2011

100º

Pois é. Parece que este é o 100º post aqui da menina!
E só para assinalar este marco, não vou "dizer" absolutamente nada!

:)

O fim da praceta

Há dias em que as saudades da minha infância/adolescência/juventude se fazem sentir.
Tudo se resume a uma palavra: praceta. Parece algo simples ou insignificante mas não é. De todo! Acredito mesmo que o desaparecimento deste conceito, mudou radicalmente o modo como as crianças,  adolescentes e jovens têm vindo a crescer e a formar-se como pessoas.

Praceta era sinal de liberdade, de desafios, de brincadeira, de muito disparate mas, simultaneamente, de responsabilização, de amadurecimento... era uma oportunidade. A oportunidade de crescermos entre os nossos pares, de criarmos laços. Se há coisa que me recordo é de dizer aos meus pais, em jeito de grito, "vou para a rua". Ouvia, ao longe, um "não venhas tarde"! E assim se passavam finais de tarde, noites e quase três meses de férias escolares. Haviam umas quantas vizinhas que passavam os dias espreitando-nos pela janela, encarnando a figura de vigilantes. E sob a mesma responsabilidade, as crianças mais velhas cuidavam das mais pequenas. Lembro-me de pegar ao colo o Rodrigo. Ele tinha 4/5 anos e morava no 5º andar. Quando queria ir para casa, pegavamos ao colo o seu corpito moreno e ele tocava à campainha. (Hoje o Rodrigo é jogador profissional de futebol, tem 1m80 e dois filhos...).
Lembro-me de vender banda desenhada e brinquedos no passeio, recordo-me de "pedir emprestado" bolicaos e gelados na mercearia e do sorriso da dona que fingia não ver... Jogar aos polícias e ladrões riscando a estrada com caminhos de giz.  Não conto as marcas que ainda hoje tenho nas canelas fruto das quedas que dei de bicicleta quando percorria o circuito do estádio nacional. A adrenalina sentida ao descer a Carris em carrinho de rolamentos. E a fruta? Tanta fruta...tanta árvore...tanta corrida que demos! Tive uma infância muito, muito feliz. E uma adolescência que seguiu os mesmos passos, face a esta oportunidade de sair debaixo do nariz dos meus pais. A juventude... essa, foi ainda mais... diria interessante. Não poderei nunca esquecer quando, com a boca cheia de farinha, dizíamos aos moços entregadores de pizza que não tinhamos visto quem é que tinha tirado o que tinha ficado na moto... Os namoros e namoricos, as festas - ai as festas! Recordo-me especialmente de uma. Tinha 15 anos e o combinado era uma festa pijama de meninas. Nem sei como os nossos pais nos permitiram... (acho mesmo que supliquei). Casa vazia e sacos cama... era o que nos bastava. Ou não!  As fotos que ainda hoje guardo mostram-nos a lavar a cabeça no lava loiça da cozinha agarradas a  garrafas de moscatel. Obviamente que foi daquelas noites memoráveis. Bastou a mãe da amiga que emprestou a casa aparecer e encontrar dois rapazes dentro de um armário para nunca mais ninguém esquecer este dia. 
Não tenho energia para descrever os episódios que vivi. Alguns não poderia nem sequer aqui contar. Alguns já nem devia ter contado...

Sempre na praceta, sempre com a amizade, união e protecção de um grupo que até hoje se mantém. Com chuva, calor, com testes ou outros constrangimentos, em férias ou em tempo escolar, as tardes, os finais de dia e as noites eram passadas em grupo. Assim crescemos. Assim, aprendemos a escolher o caminho certo ao invés do errado... às custas, na maior parte das vezes, da dureza das consequências dos nossos actos.
Hoje, os meus filhos brincam com os filhos desses mesmos amigos com quem tantas histórias partilhei. Mas as brincadeiras são diferentes.
Estão sob a nossa asa e, apesar da segurança, apesar do confortável que é esta postura que hoje em dia impera, não sei se é o melhor. Não sei se não preferia que pisassem uns quantos riscos, que cometessem umas pequenas loucuras... iriam saber o que era um amigo voltar para trás. Iriam saber o que é um amigo dizer que foi ele quando fomos nós. Creio que com o "fim da praceta", o sentimento de pertença mais dificilmente é alcançado. Sentido verdadeiramente.

E eu sei porque é que estas memórias foram reavivadas hoje.
Ontem saí à noite. Ao contrário da maior parte das histórias de juventude, esta não foi uma prática comum no nosso grupo. Sempre optámos por outro tipo de diversão. Agora em adultos, esta hipótese de vez enquando é seleccionada. Mas, a idade já se faz sentir (!!!). A música já parece muito alta, a luz confunde e as lentes de contacto, secas de tanto fumo, acabam por potenciar o nosso sono. Ontem já não dançava. O meu corpo reagia ao movimento dos outros corpos. Quando acordei hoje, esta sensação ainda não tinha desaparecido. Quando chegaram os meus filhos com a energia que eu não tinha, questionando se íamos andar de bicicleta, jogar à bola ou qualquer outra actividade envolvendo movimento, eu e o meu marido, partilhando olhos à Garfield, suplicámos em silêncio. Desejámos que ainda se vivesse na era da praceta e eles nos dissessem "vamos para a rua". Eu responderia, de bom grado, "não venham tarde"! Mas esses tempos acabaram. E é a nós e às nossas casas altamente equipadas que cabe o papel de preencher esse vazio.

E quando alguém me dizia há dias "vocês vivem demasiado para os vossos filhos", eu apetecia-me devolver a resposta com uma pergunta "mas existem alternativas?"

Ainda hei-de responder.

Vegetando

Domingo.
11h15.
Cama.
Silêncio.

Não peço mais nada.


Quer dizer... se alguém me pudesse trazer um sumo de laranja natural e um scone...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Combinação perigosa

Estava aqui a reflectir que se calhar era melhor os cidadãos portugueses não se aventurarem por terras do continente americano.
Nunca tinha pensado nesta associação até porque já fui a alguns países lá para aqueles lados e nunca senti nada de extraordinário... negativamente falando. Mas considerando os acontecimentos dos últimos tempos, começo a ter dúvidas. Senão vejamos. Um português vai aos EUA e empunhando um saca rolhas, trata da saúde a um velhinho.* Por outro lado, outro português, residente no Brasil, saca de uma pistola e dá cabo de uma velhinha!* Recuando alguns aninhos, recordo-me ainda de outro português que levou à américa do sul outros tantos portugueses- quase velhinhos- e o que é que fez? Mandou-os matar, enterrar e tapar com cimento.*
Que raio? Que instintos assassinos desperta  a América no nosso povo?
Agora pensando bem, eles -os americanos- sabem!
Lembro-me de no aeroporto JFK ter respondido a um extenso questionário que me obrigava a declarar uma lima das unhas. Também no México me abriram a mala e revistaram tudo o que era bolsos da minha roupa. E se bem me lembro foi no Brasil que me desapareceu uma mala. Era já um adiantamento sobre o que eu poderia fazer...
Pelo sim, pelo não, nos próximos tempos não vou para esses lados. Pode baixar em mim uma serial killer e depois é uma carga de trabalhos.

*Alegadamente... agora não me dá jeito nenhum um processo judicial por difamação.

Expectactivas

Hoje acordaram especialmente animados. As actividades programadas para a tarde incluíam "saltar nas poças". Tratei com toda a seriedade da indumentária. Saquinho com calçado alternativo e galochas catitas.Os sorrisos foram fáceis, fáceis.
Quando espretei pela janela ainda escura o meu sorriso desvaneceu e adivinhei o pior.
Não choveu.

Tivesse eu uma mangueira...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

BLANK

Aos 33 anos (quase, quase 34) chego à conclusão que, nesta vida, a maior das proezas é, simplesmente, ter a capacidade de esvaziar a mente. Deliberadamente, não ter pensamentos. Alcançar o vazio.
Quem o consegue sem recurso a drogas ou estados de semi-consciência obtidos de forma espiritual tem, sem sombra de dúvida, um dom inestimável.
Acho mesmo que, devidamente comprovado, devia ser mencionado em currículos e entrevistas de emprego- Aptidões e Outras competências: Domínio comprovado da capacidade de abstração.
Quiçá, em início de relacionamentos. Tipo: "Fazes o quê? Consegues abstrair-te com facilidade? Ah...como é que te chamas mesmo?".

Tenho dito.

Da cama para a cama

Hoje, acordei às 4 da manhã. Pronta para a vida. A escuridão manteve-me no conforto que só a minha cama me oferece. Planifiquei mentalmente o resto da semana onde se incluem dois dias de labuta, mais dois dias de trabalho não remunerado e vá...algum lazer. Actividades escolares e lúdicas, treinos, saída de adultos e afins... roupas, ementas, compras, conversas, blábláblá...tudo pensado. Às 6 e pouco, como habitual, iniciou-se todo um rol de tarefas que podiam, perfeitamente, ter sido desempenhadas de olhos fechados, tal é a interiorização. Durante o dia, o empenho direccionou-se para múltiplos objectivos. Cumprir o estipulado, avançar um pouco mais. Telefonar à mãe, agradecer ao irmão, telefonar à amiga. Responder aos emails. Consolar um lado. Consolar o outro lado. Não interferir. Ouvir. Trabalhar, trabalhar. Comer e rir. Dizer parvoíces. Dizer coisas sérias. Afastar pensamentos. Aproximar novamente pensamentos. Ousar.
Trocar de roupa. Combinar logística do final do dia.
Correr. Correr. Correr.
Às 19h00, carregava nos meus braços molhados do esforço: casaco, mala, saco com roupa de trabalho, saco com compras, botas (abandonadas em detrimento dos ténis), chapéu de chuva (grande) e chapéu de chuva (pequeno). Ao meu lado criança pequena levava mochila.
Iniciou-se, então, novo ciclo. Banhos diversos. Roupas sujas. Roupas lavadas. Roupas para dia seguinte. Mochilas desfeitas e verificadas. Mochilas refeitas. Recados assinados, lanches preparados. Conversas cruzadas e jantar nos pratos.
22h00. O silêncio reina e compensa todo o esforço. Os meus dedos pressionam as teclas com uma destreza rara. Sobre os meus braços pesam duas cabeças pequenas. No meio da minha cama, estou eu. De cada lado, tenho um filho. Dormem. E eu não.
Estou sozinha e encurralada. Mas não importa. No meio de tanta rotina, tantas regras e obrigações, dou graças por estes pequenos, grandes prazeres.


Já não são os meus bebés. Mas são. Hoje são.
Estou sozinha. Ou não.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Teimosias

23h00

De regresso de um treino de 10 km, o balanço não é dos mais positivos.
Tudo corria bem. Bom ritmo, temperatura showbiz, poucas pessoas... mas, eis que ao 8º km, sensivelmente, algo se deslocou nas minhas costas. Não sei se voltarei a ser a mesma. Dura que nem uma tábua e com dores a roçar o insuportável continuei até ao estipulado. Mais devagar é certo. Sem mexer o tronco é certo. Mas 10 km concluídos.
Eu sei que o lema devia ser "pelo prazer de correr", mas a minha satisfação advém de conseguir, de alcançar, de superar. Não sei se voltarei a mexer o lado esquerdo do meu corpo... mas isso são pormenores!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Marco quê?

Todos os dias, nas milhentas voltas de dou, acabo sempre por passar bem junto a um marco geodésico...
E, em cada uma dessas ocasiões, os meus filhos me perguntam de que se trata. Quando ainda não tinham ultrapassado os quatro anos de idade, eu deslumbrava-os com a história de um foguetão estacionado. Mas, a minha consciência começou a pesar-me à medida que as suas idades faziam-se acompanhar de uma maturidade que não se compadece com este tipo de explicações.
E assim, hoje, e após repetição da pergunta, acabei por ir ao Google. E a explicação é fácil, fácil:

"É um sinal que indica uma posição cartográfica exacta e que forma parte de uma rede de triângulos com outros vértices geodésicos. São escolhidos sítios altos e isolados com linha de visão para outros vértices.
A rede geodésica portuguesa é formada por vértices geodésicos que se dividem em três ordens de importância:
  • 1ª Ordem - pirâmides distando 30 a 60 km
  • 2ª Ordem - cilindro + cone listados distando 20 a 30 km
  • 3ª Ordem - cilindro + cone distando 5 a 10 km"

Estou muito mais descansada. Amanhã quando passar lá novamente, vou explicar com clareza que o foguetão permanece avariado e, aguarda o respectivo arranjo que só será possível após recuperação financeira do nosso país. Estou disposta até, a encetar toda uma explicação acerca da actual conjuntura que envolve uma recessão económica cuja resolução, a curto prazo, se afigura dificil. Poderei eventualmente mencionar o facto da subida exponencial das taxas em vigor representar um impacto negativo directo no poder de compra dos cidadãos, aspecto que contribui grandemente para a estagnação do mercado. Só quando apostarmos na produção nacional e marcarmos uma posição no sector das exportações, daremos os primeiros passos para recuperar económica e socialmente. E aí, sim, estaremos em condições de mandar vir alguém arranjar o foguetão que está estacionado para os lados de Carnaxide, vai para alguns anos.

Toma lá ó Google!!!




sábado, 22 de outubro de 2011

Massacre, com dois "ss"


A Maria tem 3 galinhas.
A primeira e a segunda põem 10 ovos por semana.
A segunda e a terceira põem 14 ovos por semana.
A primeira e a terceira põem 12 ovos por semana.
Quantos ovos põe cada galinha?

Resolve e explica por palavras, esquemas e números como chegaste ao resultado.


E basicamente isto resume o meu fim-de-semana. Dois dias que antecederam testes da 2ª classe e que me levaram a um estudo intensivo sobre matérias que envolveram galinhas, dentição, fases da vida e calendários. Com isto não estou, obviamente, a contar com a diferença entre "s", "ss", "ç"/ "r", "rr"/ "ch", "x" e afins.
Ah... e as diferentes técnicas para somar e subtrair, envolvendo a tabela dos 100 e diversos dedos debaixo da mesa.
Minha nossa!!!


Já não nos bastou estudarmos anos e anos, queimarmos as pestanas como ninguém, aperfeiçarmos a arte de bem copiar ou mesmo inventar com muita confiança e agora...volta tudo ao início.

E se calhar tem mesmo de ser... afinal... ainda tenho dúvidas acerca das galinhas...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Eles surgem com uma cadência de 5 minutos e farão toda a diferença

Pois parece que o mundo termina amanhã. E eu estou aqui angustiada porque não sei o que vestir. Sim, eu não vou partir para outro mundo em desalinho. Não é com uma calcinha de ganga e tshirt qualquer que serei recordada! Pensei numa saia ou vestido, mas sei lá se o culminar deste mundo não envolve uma explosão ou fenómeno similar passível de influenciar a minha pose final. Não me estou a ver de saias para cima num canto qualquer. Tenho de estar impecável. Sim, eu já pensei na minha morte. Eu sei que é macabro, eu sei que é esquisito mas eu já deixei de tentar convencer as pessoas que sou normal.
Confesso que já imaginei, em pormenor, como seriam as minhas cerimónias fúnebres. E já deixei instruções muito específicas ao meu marido que, não sei porquê, não me leva a sério. Já o informei que espero, no mínimo, duas ou três simulações de desmaio. Para gritos não há limites. É à vontade. Claro que as lágrimas terão de jorrar e no momento em que todos se despedirão de mim, espero que se atire de joelhos em jeito de desespero e dor.
Por outro lado, e porque quero partir em grande, já dei igualmente instruções a amiga próxima para a contratação de figurantes. Não quero uns figurantes quaisquer... só para fazer número. Não! Quero homens LINDOS e que saibam representar. Com uma cadência de 5 minutos, surgem no local onde descansarei para sempre e deverão chorar desalmadamente chamando-me diversos nomes. Não quero nomes fofinhos e queridos. Quer nomes que indiquem paixão! Não são precisos muitos destes espécimes. Bastam 4 ou 5 para o impacto que quero causar. O espanto e surpresa do meu marido, seguidos de raiva farão com que me esqueça rapidamente. Conto que, após um ano ou dois de ausência, seja capaz de sair de depressão profunda e olhar para outra mulher.  Tadinho. Eu quero que ele seja feliz mas...que nunca se desfaça do pequeno altar que fará para mim. Ah...estou mais tranquila! Está tudo assegurado. Sim, porque o mundo não há-de acabar para toda a gente, assim de um momento para o outro. Não há capacidade para gerir tantas baixas. Isto terá de ser por fases.