domingo, 30 de novembro de 2014

O melhor de todos os meus dias

As dores fazem destas coisas. Obrigam-nos a focar, a olhar em frente. Forçam-nos a um esquecimento deliberado e a um presente que seleccionamos. As dores fizeram-me ser assim. As passadas, as antigas e as ainda abertas. Tento não me lembrar delas mas, sempre que as malditas são mais fortes do que a minha determinação, faço o pino, um mortal encarpado e uma roda seguida de esparregata. O sentido figurado do exercício não é mais do que parar um pouco e lembrar-me de tudo o que tenho de bom. Faço-o diariamente, faço-o muitas vezes, no meu silêncio. E agradeço. Porque tenho mesmo de agradecer. Hoje faço-o de modo a que me ouçam.
Obrigada pelo vosso carinho. Pela vossa amizade. Por encolherem os ombros pelas minhas parvoíces ao mesmo tempo que esperam por mais. Por se rirem comigo. Por saberem estar em silêncio quando não consigo ouvir. Por ralharem comigo e por me elogiarem quando eu me recuso a ver. Por estarem comigo. Porque sim. 
Hoje é o dia do meu aniversário. Na verdade, não interessa nada. Porque recebo todos os outros dias. Obrigada!









{Obrigada, meu irmão, por fazeres anos comigo. E por fazeres sempre na tua casa... 💗}

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

4x___= 1000

Lembro-me bem destas contas. Lembro-me de olhar para cima, com o lápis roído na boca, a imaginar o número 100... depois o 200... e no 300 já era demais. Lembro-me bem de escrever de lado, bem pequenino, num rascunho que ainda não conhecia. Ía tentando até chegar ao desejado resultado. Lembro-me bem deste método- ainda primário- de ir por tentativas. Mas depois vamos crescendo e numa idade de prata, achamos, presunçosamente, que as soluções aparecem instantaneamente na cabeça. 4x250=1000, é claro. É ridiculamente claro. Eis, senão, quando a equação não dá mil. 250+250+250+250 é igual a outra coisa qualquer que foge àquilo que aprendemos, àquilo que nos disseram, àquilo em que acreditávamos. E partimos do zero. E voltamos ao rascunho. E pedimos ajuda, se necessário. 
Ir por tentativas não é coisa de crianças. Ir por tentativas é coisa de adultos. De gente crescida que julga que sabe tudo. Eu não sei. Vou tentando.


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Grávidas chamadas à receção!

Eles procuram 200 mulheres grávidas e enviaram-me um email. Recorrendo àquele princípio basilar do "passa ao outro e não ao mesmo", divulgo a oportunidade. Trata-se de uma campanha de experimentação de produtos da Johnson’s® baby, levada a cabo pela comunidade youzz™, em Portugal.
Como participar? Fácil, fácil! É seguir os passos que me foram transmitidos:


1)    Inscrever na youzz™ através do link http://youzz.net/PORTUGAL/registration/default/;
2)    Seguir o link  de ativação, através do e-mail que se recebe após o registo;
3)    Fazer login na youzz™ e, depois disso, preencher o questionário de qualificação que permite apurar todas as mulheres que têm o perfil que a marca pretende, através do link http://youzz.net/PORTUGAL/survey/show/survey_id/2214/;
4)    Preencher os campos de “O meu perfil” em http://youzz.net/PORTUGAL/profile//.


Dizem-me, ainda, que quando um youzzer™ é selecionado para participar numa campanha, recebe um e-mail na sua caixa de entrada com todas as indicações necessárias. Já a participar na campanha, cada youzzer™ recebe gratuitamente um kit com produtos youzz™/Johnson’s® baby (YEAHHH) com conteúdos para informação e experimentação.
Qualquer dúvida: membros.portugal@youzz.net.



Eu? Aguardo uma campanha de kits de viagens ou de sushi ou de roupas ou de carros ou de casas na praia ou de...

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Querida filha que acabaste de entrar na idade do armário

Lembra-te que eu estive treze horas em trabalho de parto após andar nove meses a arrastar-me, qual foca. Recorda-te que tive dores excruciantes que quase me levavam ao desespero. Não desconsideres a pancada que dei na cama de hospital logo após aquele toquezinho meigo capaz de levar uma formiga a parir um elefante. Nem te vou elucidar acerca das miudezas privadas e dos tempos que levei com uma cinta até ao pescoço, na ambição de recuperar uma tonicidade perdida. Lembra-te, filha, que choraste todas noites do teu primeiro mês de vida. Que te fiz ginastica, qual rã, experimentei bicos simulados, tetinas supostamente naturais, xaropes doces e mimos afins. Que cantei músicas de embalar até eu própria adormecer e fiz vozes de falsete vezes sem fim. Recorda-te que cheguei a escorregar da tua cama para sair de gatas tal o desespero de não ser ouvida e que retornei quase todas as vezes perante os teus... direi lamentos. Que misturei a história do lobo mau, com a da carochinha e pus o João Ratão a matar com pedras a avózinha. Que te mudei a roupa a cada bolsar [ou algo pior] com o mesmo carinho que aspirei os teus vestígios nasais. Que dormi ao teu lado a cada febre, a cada pesadelo, a cada carinho solicitado. Que te transportei sobre os meus braços e que te embalei junto a mim. Que chorei às escondidas quando te sentiste pela primeira vez triste -como as pessoas grandes sentem- e que me impedi de te defender das injustiças que terás sempre de enfrentar. Recorda-te que caminhei ao teu lado nos primeiros dias de escola e me afastei nos seguintes. Que te contei segredos só nossos e ouvi os teus. Que pintei o teu quarto de rosa e mudei para o azul que anunciava o teu crescimento. Lembra-te, filha, mas lembra-te mesmo, filha! Antes de me revirares os olhos, antes de me encolheres os ombros ou de me dizeres espeeeeeera, recorda-te: pode não te parecer, mas o amor de mãe é o maior que irás conhecer. 
{se não te recordares, lembra-te só que sou menina para castigos sem final definido}



terça-feira, 18 de novembro de 2014

Quem não sente, não é filho de boa gente. E quem sente, tem de sentir pouquinho. Ou não.

Quando faltam os argumentos de consolação, é comum o recurso à desgraça do outro. Se partiste uma perna, há quem tenha partido duas. Se não estás feliz no casamento, há quem seja violentado no seu lar. Se estás num emprego que não te motiva, há quem não o tenha. Tudo é potencialmente relativo e, para o bem é para o mal, conseguimos sempre arranjar a referência que nos convém. Mas a verdade, é que as nossas dores, são as nossas dores. São pequenas ou grandes, apenas e só, face à nossa história. Face àquilo que vivenciamos. Mimados, frágeis, sensíveis, dramáticos, o que nos quiserem imputar. Sentimos aquilo que sentimos. E não nos interessa propriamente que tenha caído um poste em cima de um gatinho felpudo, mesmo há minutos, porque não sentimos menos. Mas aceitamos a comparação. Encolhemos os ombros e simulamos uma humana compreensão. 
Cada vez tenho mais dificuldade nesta diplomacia das dores. Em todos os sentidos. Faltam-me as palavras de consolo a quem me procura e saem-me uns "isso é horrível mesmo", "prepara-te porque vais sofrer". Por outro lado, nego o sentimentozinho. Estou um pouquinho triste ou razoavelmente contente. Não. Estou estupidamente feliz independentemente da fome mundial que não consigo travar ou terrivelmente infeliz mesmo com tudo para não o ser. 
Apetece-me dizer-te, assim, que sei que a tua dor é real. Que sei que custa e vai continuar a custar. Que te deves sentir assim, porque tens razões para tal. Mas, e a diferença reside aqui, sei que vai passar. E essa dor vai-se atenuar. E vais sorrir. E vou sorrir contigo! Estupidamente felizes!

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Não é bem um bolo. É uma cena...

Na maior parte das esferas da minha vida, sou rigorosa. Chata, mesmo. Faço planos, identifico objetivos, sigo os 12, 20, 5000 passos e incuto a mim própria metas sucessivas, interligadas e simbioticamente conectadas. Uma verdadeira control freak. Pois há outras áreas, que sou- como dizer- descontraída...

-Estou a fazer um bolo porque não tenho pão para os lanches dos miúdos. Vou fazer o de iogurte. Desculpa, estou à procura da receita. 
- Esquece a receita, sei de cor. Três ovos, um iogurte, três copos de farinha, outros três de açúcar e um de óleo. Uma colher de chá de fermento e acrescenta côco se tiveres. 
Desliga-se a chamada.
- Já liguei o forno e tirei tudo. Caiu-me um isqueiro para dentro do iogurte. Vou por outro.
- Ahahah.
- Hum... Esquece, não tenho farinha. 
- Não tens farinha Maisena?
- Tenho. Dá? Ok, vou fazer à mesma.
- Cuidado, pois é mais forte. Vai ao Google e escreve "farinha Maisena equivalência farinha".
- Estou ao telefone contigo... Deixa, vou por... Mais ou menos... Bolas, não tenho açúcar!
- Tens saquetas? E açúcar amarelo?
- Ainda dá uns dois copos. Serve. Ui, só tenho dois ovos!!!
- Fogo, põe mais um iogurte. 
- Xiii, ficou tão líquido. Vou por mais Maisena. Vou-te por em alta voz para conseguir untar a forma.
- Nãoooo, não te ouço bem!
- Já está. Vou por umas gotinhas de baunilha. 
- Tenho de desligar.

Ups...


domingo, 16 de novembro de 2014

Ele está a trabalhar {peanuts...}

Já: 
Corri três quilómetros com os miúdos, com um saco de pinhas às costas;
Fui às compras a pé e com duas crianças cansadas;
Fiz lasanha de atum e espinafres para o jantar, quiche de salsichas, queijo e fiambre para o almoço dos miúdos e uma parecida para mim- versão light-com espargos e atum;
Fiz gelatina e suspiros de chocolate (versão sem açúcar-acreditem em mim);
Revi mochilas e estendi a roupa;
Perguntei sobre os sistemas circulatório e respiratório;
Corrigi somas de horas, minutos e segundos, ao mesmo tempo que pedi para ouvir o verbo to be;
Ajeitei camas, roupas e passei vistoria pelas divisões.

São 16h de Domingo e questiono: 
Posso ir já para a cama?




sexta-feira, 14 de novembro de 2014

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Inserir símbolo

É tão fácil comunicar assim! Um coraçãozinho colorido ali, um sorriso com língua de fora acolá, um boneco verde aos pulos... fácil, fácil. Qualquer pergunta tem resposta. Qualquer afirmação tem reação. A minha questão é: será mesmo alguma coisa? Estas não-respostas? São qualquer coisa- um vazio que nos vemos obrigados a decifrar. Ora bem, estou hipoteticamente doente. Partilho o meu estado. Recebo um sorriso. Vamos a isso. Pessoa do sorriso, o que é que queres dizer com isso? Estás feliz por eu estar doente? Achas piada à minha partilha? Ou estás disposta a trazer-me uma canja? Se eu tiver febre alta a meio da noite e se estiver sozinha, posso ligar-te? És pessoa para me levar ao hospital? Vais-me ligar a perguntar o que se passa? O que raio significa o teu sorriso? É um mundo de possibilidades! Na verdade, é quase um Euromilhões acertar na interpretação exata da intenção real de quem me enviou o sorriso. Contra mim falo que uso e abuso dos símbolos e respostas fofinhas. O que querem dizer? Não é a primeira vez que uma dessas pessoas que virtualmente me manda sorrisos e corações, frente a frente, não cospe símbolos sonoros. É quase um desconforto que se gera. Olha, ontem mandei-te três smiles mas na verdade nem te conheço bem. Ainda bem que estás no outro lado da estrada e posso fingir que não te vi. É estranho. É oco. É, mais uma vez, vazio. Acordo, muitas vezes, com imensos corações. Pego no telemóvel e lá estão eles, preenchendo o meu écran. E eu penso "simpático!" E depois penso, "bizarro!" Não sabem porque escrevi aquilo. Nem sabem porque coloquei aquela foto. Não sabem! Como podem enviar-me amor? Sim, é disso que falo. Enviar amor. Não se envia. Não se desenha. Não se faz num segundo. Amor, qualquer tipo de amor, sente-se. Vive-se. Comunica-se por todas as formas, verbais e não verbais- por quem faz sentido. Devia ser proibido enviar assim, gratuitamente. Sem, amor.  

sábado, 8 de novembro de 2014

Maternidade (s)

É tão simples quanto isto: como pais, não queremos que eles sofram. Não queremos que tenham febre, que lhes doa a barriga ou a garganta, não queremos que caiam ou que deitem sangue. Não suportamos que sejam postos de parte, gozados ou injustiçados. Tememos uma dor de amor, para a qual ainda foi inventado analgésico... Ansiamos pela sua eterna proteção. Quando disse à minha mãe que estava grávida pela primeira vez, estranhei o seu ar preocupado. Não vi uma ponta de alegria e essa ideia perseguiu-me. Entristeceu-me, na verdade. Quando a vi imediatamente depois de ser mãe, percebi. Chorava. Temia por mim. Pelo risco inerente, pelas minhas dores, pelas minhas expectativas. Não queria que eu sofresse. Estava a ser mãe e ainda não avó. Mas não somos só mães dos nossos filhos. Somos mães dos nossos pais, somos mães dos nossos irmãos. E hoje senti-me assim: mãe dele. Daquele homem feito, pouco mais novo do que eu. Sorri-lhe sempre ao mesmo tempo que fazia um discurso encenado de segurança e normalidade. Por dentro, estava igual à minha mãe. A chorar baixinho enquanto apelava à minha fé, enquanto suplicava a vigia do meu pai. A minha sobrinha nasceu e nasceu {de novo} também o meu irmão. Parabéns❤️


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Mas um, tipo singular?

Às vezes questiono-me se terei sido criada com papas de carcaças embebidas em vinho ou mesmo com ração para animais de grande porte. Quando a minha querida nova nutricionista me questionou se eu queria um iogurte ou dois queijinhos triângulo, eu não consegui dar uma pronta resposta. Não percebi onde queria chegar... Retorqui um "por dia?" Tipo, por oposição a "de três em três horas"... A profissional da alimentação sorriu nervosamente (assustada) e deu-me a sentença- sim, por dia. E reconfirmei "por dia?"- sim. "Um iogurte?"- sim. "Mas se comer um queijinho ao pequeno-almoço, conta como um?"- sim. "É deduzido, então?"- sim. "Portanto, e é um ou outro?"- pois. "Dois está fora de questão?" - hum...

Eu vou sofrer mas, sinceramente, a equipa da EasySlim, que tantas expectativas deposita em mim, não vai ficar melhor...

*Eu vou dando notícias...

domingo, 2 de novembro de 2014

Vida complexa com coisas simples

O problema é querer escrever um tratado. A questão envolve palavras caras, frases complexas e ideias inovadoras. Uma inspiração, uma polémica, qualquer coisa. Não simples, extraordinária. O problema é esse. A vida- pelo menos a minha- não é assim. Hoje, enquanto corria com a Catarina, falava disso. A ausência de conteúdos pela presença de banalidades. O dia- a- dia. O pequeno-almoço aspirado sob os limites do tempo que é acelerado quando saltamos da cama, o nosso saber e competência que se divide pelas inúmeras tarefas, o almoço que foi o jantar, os objetivos a cumprir, o brio de os superar, a corrida ao supermercado, as receitas engendradas a olhar para as prateleiras, os banhos obrigados, os trabalhos de casa quando não terminados, as mochilas desfeitas e feitas, o jantar alinhavado, um discurso mecanizado "Como foi? Porque fizeste isso? Sentiste-te bem? Gostaste do almoço? O que queres vestir amanha?", uns minutos de vida alheia pela televisão, uns beijos rápidos pela noite já avançada. Não é um texto... é uma frase interminável! Uma frase que desafia as regras gramaticais mas que respeita a cadência dos meus tempos, dos nossos tempos. 
Aquele outro, escreveu sobre a felicidade das mulheres quando eram outras. Quando permaneciam em casa e o seu trabalho não remunerado se circunscrevia a cuidar dos seus. O cansaço dos meus dias, a força das minhas rotinas poderia despertar em mim um sentimento de identificação. Fácil, fácil. "Antes é que era!" Boas mães, boas mulheres, boas gestoras daquela que seria a nossa profissão natural. Às vezes, o resultados destes [novos] papéis deixam-nos assim, na dúvida. Mas não é verdade. Existem conteúdos, sim, muitos. As rotinas existem porque permitem a nossa estabilidade. As rotinas existem porque são necessárias à manutenção de uma vida organizada e ao sentimento de segurança. As rotinas dizem-nos que estamos bem e que o amanhã seguirá o plano que construímos diariamente. The big picture- é a soma dos nossos "não-conteúdos" permanentes. É desses que se faz a nossa história. E depois existem os pequenos momentos. Que acrescentam sal e pimenta, que aromatizam a vida e que nos dão folga à gravata. Uma festa a meio da semana, uma boa conversa com uma amiga em vez da corrida programada, um jantar desarrumado e barulhento, uma zanga, umas pazes, um novo desafio. 
Prefiro ser esta mulher. Esta mulher que se cansa, que refila, que desabafa. Mas esta mulher que tem conteúdos. Mesmo que sejam banais. Ou aparentam ser banais...

Uma objetiva. Uma foto programada. O Pau Storch e o Santi. Um momento inesperado, com muito conteúdo. 













sábado, 1 de novembro de 2014

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Há quem escreva cartas ao Pai Natal...

... e há quem reúna argumentos...

Ou choques...

Voltamos aos padrões. Estou, tal e qual filme de cinema norte-americano, deitada num divã qualquer, a refletir em voz alta sobre os círculos da minha vida. Colmatando a ausência de psicanalista com barba cruzada com charme, exorcizo, pelas linhas virtuais, a consciência dos tais padrões. 
Modéstia à parte, eu era um pedaço de mau caminho. Discreta, tímida e sem grande interesse em impressionar, impressionava. Gostava de enamorar até me quererem namorar e depois fugia a sete pés. Mal o contrato era adjudicado, eu assustava-me com a empreitada e abandonava. Analogia pobre para uma situação real. E eu até gostava mas, quando a brincadeira passava a certeza, a realidade dos sentimentos, obrigava-me a um incómodo reset. Ultrapassada a questão [Dr. Barbudo e charmoso, guarde as receitas], a questão persiste. Quero o desafio e depois fujo do desafio. Escrevi que me lançaria no esforço da concretização dos meus objetivos. Enchi-me de lata e não pensei. Enviei os emails e esperei. Aceitaram o namoro! As minhas tentativas tiverem retorno e aqui estou eu- petrificada- a achar... que destruir o círculo e iniciar uma linha recta, é demasiado desconfortável. Aqui estou eu a achar que não consigo. E a sentir que volto aos meus 15 anos e digo "não", quando só não tinha coragem para dizer "sim".
Bolas, Dr., podem ser drogas. 

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Enquanto dissermos os nossos nomes parvos

Ele liga-me todos os dias às 13h00. Invariavelmente estou acompanhada e atendo-o com atenção. Chamo-o pelo nome, com esforço consciente para não verbalizar o nosso habitual. Não há lugar a "querido", "amor", "xuxuzinho" ou outro termo comum. Os nossos nomes são parvos. E quando eu digo "parvos", quero dizer que são verdadeiramente idiotas. Cada vez que atendo o telefone, faço-o, assim, com cautela. Para que não o ouçam, para que eu não me esqueça de dizer "Tiago". Distante, robótica. Depois, invariavelmente, refila comigo "não me ligas" e eu rio-me. Respondo-lhe que tenho mais do que fazer e ele ri-se. Desligamos. Nas horas que se seguem combinamos quem vai buscar quem, as compras, os quilómetros a correr, a cor da roupa a lavar, a ementa do jantar- toda uma produção naquela que é a nossa empresa. Aquela que construímos de raiz e cuidamos todos os dias. Horário non stop, com um verdadeiro amor à camisola. Há dias em que a máquina emperra, que os resultados nos deixam apreensivos e os nomes, as brincadeiras e os sorrisos dão lugar à frustação, ao medo e à insegurança. Mas na manhã seguinte, abrimos a porta outra vez e enfrentamos mais um dia. 
Chamem-nos antiquados, acomodados ou tradicionais, chamem-nos o que quiserem. Tentamos todos os dias. Todos os dias. E fazemo-lo não por teimosia, inércia ou obrigação. Fazemo-lo porque acreditamos.


É o amor!

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Publicidade da boa

Aqui quem ganha são as crianças e suas famílias. Favor gostar e partilhar.


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Em bom inglês "Rock Person"

O meu marido acordou-me a relatar um mirabolante sonho que envolvia ovnis e polícia. O nosso filho ressonava ao nosso lado depois de lá aparecer, a meio da noite, para pedir para comprarmos cinco carteirinhas de cromos. Nas palavras da minha filha, "não dormiu nem um minuto!" Foi à nossa cama para a confortarmos de um pesadelo com dragões mas encontrou uma sobrelotação e foi deitar-se na cama do irmão. Eu? Uma pedra em forma de pessoa...

domingo, 12 de outubro de 2014

Domingo é isto


[devagar]

Qualquer dia morro. Enquanto isso... emails enviados

Lembro-me exatamente do dia em que percebi que todas as pessoas morriam. Que a vida obrigatoriamente acabava. Via desenhos animados sobre o corpo humano e naquele "Era uma Vida", o coração estava no cerne da mensagem. O coração pára e tudo o resto morre. Senti um murro no estômago lançado por aqueles homenzinhos de barba branca. Deitei-me não serena. Pousava a pequena mão em cima do sítio onde imaginava que estaria o motor e mantinha-me atenta ao seu ritmo. Lembro-me de estar escuro e esforçar-me por perceber se tinha parado ou não. Tentava ouvi-lo quando não o sentia sob a minhas palmas. Quando o silêncio era absoluto aguardava o meu destino mortal mas nada acontecia. Acabava por adormecer acordando sobressaltada, não sei quanto tempo depois, só para verificar se ainda vivia. Não sei quantos dias levei a aguardar a minha morte iminente mas sei que mudou algo em mim. Estranho. Pequena percebi que não vivíamos para sempre. Enquanto que outros deliravam com um pai natal que eu sabia ser inexistente, eu lidava com a consciência de um corpo que funcionava mecanicamente, podendo desligar-se a qualquer momento. Eu posso morrer? Estranho. Todos o sabemos e estamos constantemente a esquecer-nos. Eu esqueço-me sistematicamente que um dia já não estou cá. Que o mundo continua. E eu não. Até que... lembro-me da minha finitude e, arrisco. Assim acabei de fazer! Venham daí as respostas! Positivas, por favor...