domingo, 25 de outubro de 2015

Já nem falo das garrafas de azeite que já deixei cair, dos emails enviados para a pessoa errada, nos ataques de riso em elevadores ouvelórios...

Há uma máxima na Ley de Murphy que defende qualquer coisa como "tudo é possível, apenas não muito provável." Se tivesse de encontrar uma frase para definir os acontecimentos da minha vida, talvez escolheria esta. Começa logo no meu nascimento. No exato dia do aniversário do meu irmão anterior. Não era provável mas aconteceu. Também não era esperado mas, os meus pais tiveram de fazer prova do meu nascimento. Passados uns meses de ser gente, foram chamados pelas autoridades para "me mostrarem" (não vou nem tentar explicar).
A minha memória de peixe não me permite exemplificar aqui toda uma sucessão de factos da minha curta existência. Mas acontecimentos recentes comprovam que esta máxima das probabilidades, assenta-me que nem uma luva. Não sei qual a percentagem exata mas aposto que será baixíssima a de alguém conseguir convidar duas pessoas para uma única função. Eu consegui. Convidei duas pessoas para apenas uma tarefa sendo que, tinham o mesmo nome, a mesma formação, a mesma origem geográfica e a mesma ocupação. Assim, lado a lado, ao mesmo tempo. E a minha cara de quem "jogou cocó no ventilador"...  E qual é a probabilidade de eu estar deitada no chão do palco e de ter um técnico de som, com mais de 75 anos e sintomas de Alzheimer, com as suas mãos- ambas as duas- na minha parte traseira mais proeminente? Eu diria que, para o comum dos mortais, estaríamos na ordem dos 2%. Comigo? Sem dúvida, 100... Assim, ó Murphy: tudo é possível, sim. Mas comigo...  é altamente provável!




segunda-feira, 19 de outubro de 2015

I Rock!

Não cumpri o objetivo a que me propus. Não corri 42,195 km. Não fui persistente, rigorosa e muito menos disciplinada. Findos poucos meses da meta estabelecida, simplesmente desisti. Percebi que era cedo demais. Percebi que não assumi o compromisso com seriedade. Na verdade, sempre soube que não iria cumprir. Não sou daquelas pessoas que afirma nunca desistir. Sou daquelas que muda de ideias, que teria feito de outra maneira, que larga coisas e que, simplesmente, olha para o outro lado. Não corri a maratona como apregoei. Mas levantei-me às seis da manhã. E andei pé ante pé, na casa escura. E saí pela porta, noite preta. E afastei a chuva e corri para o comboio. Carreguei um saco com bananas e barras doces e apanhei mais um transporte e mais outro. E respirei o ar abafado com todos os outros. E sentei-me no chão enquanto pés e pernas passavam por mim, todas iguais. E contei os minutos e rezei em silêncio. E pedi ajuda e escolhi o corredor certo. E enfrentei as pernas inicialmente em choque, duras. E descontraí e segui. Evitei as garrafas, as tampas, os atropelos e ansiedade de ver tantos passar por mim. Mantive-me no meu ritmo vergonhosamente lento e orgulhei-me por não o achar vergonhoso. E vi ruas e agradeci a todas as pessoas que cruzaram o olhar. Às que bateram palmas, às que gritavam ou às que em silêncio, longe, torciam por mim. E continuei a correr e soube que ia terminar. E virei caminho e alegrei-me. Mais. Bati as mãos no papel que dava uma "vida extra", engoli energia líquida e revirei os olhos com o sabor das laranjas que me estenderam. Ignorei a dor no joelho. E escolhi o modo como passei a pousar o pé, em dor. Conversei com quem partilhou comigo a estrada e ainda ri. Falei inglês, arrisquei francês e ouvi. Elevei os braços mesmo no fim e dancei. E vi a meta e corri ainda mais. Passei num sprint manhoso. E sorri. Sorri mesmo no cansaço. Sorri mesmo com as pernas destacadas do meu corpo. Sorri no caminho de volta. No metro. No outro metro. No comboio. No caminho até casa. No banho quente. Debaixo do edredon que abafou as dores. Acho que sorri a dormir. Não corri a maratona, não. Talvez nunca corra uma. Mas fiz duas meia-maratonas, em 2015. Por duas vezes, percorri com os meus pés, com as minhas pernas, com a minha cabeça e o meu coração, 21 km. 


* Obrigada, S. por me acompanhares nesta minha insistência. Por me fazeres rir e por atravessares comigo mais esta meta.




quinta-feira, 8 de outubro de 2015

A vida ao contrário [como devia ser]

Bastaram-me cinco minutos. Tinha tudo pronto. Mochilas, sacos, roupas, comidas, banhos e sei lá mais o quê. Fiquei assim, de repente, num vazio. Coloquei a mala no ombro e abracei o meu filho. Queixei-me, na verdade. Há muito tempo que não abraças a mamã. Talvez não fosse há tanto tempo assim. Mas senti que era demasiado para mim. Assim, à porta, a segundos de sair, com a cabeça loira no meu queixo, ouvi-o. Estás sempre a trabalhar. Não páras. Acho que o abracei com mais força. Acho que me abracei, na verdade. Consolei isto que tenho sentido. Que estes tempos não me servem. Que estes tempos estão mal contados.

Agora alguém se diverte na cozinha a fazer bolachas com pepitas de chocolate. 
O jantar será algo pré-cozinhado. Cheira a chá e a essência de baunilha.
Não vou passar a ferro. Não arrumarei as camas que daqui a pouco serão ocupadas. As mochilas, lanches, almoços, roupas e afins... Só depois de abraços demorados. E beijos. 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Orientações, por favor

O telemóvel dele tocou às duas da manhã. Eu perdi o ar. Saltei e morri a cada micro segundo de silêncio. Ele morreu mesmo ao meu lado. Viu o que eu não vislumbrei. O nome da nossa filha no visor. Eu pensei que tinha perdido alguém. Outra vez. Ele pensou que não a tínhamos. Ela falou... Tinha sede e solicitava um copo de água. 
Não sei se lhe devíamos bater. Se lhe devíamos dar o copo de água. Se bater-lhe com o copo. Se lhe atirarmos a água. Se enfiar o telemóvel no copo. Se lhe atirarmos o telemóvel à cara. É toda uma indecisão. 

Ela?

Não são raras as vezes que me lembro daquela rapariga que vi noutro dia. Era uma rapariga como outra qualquer. Mais ou menos da minha idade, corria pela mesma estrada do que eu. Era uma rapariga qualquer, mas só que não era. Corria de forma veloz e fazia-o com uma fralda. Adivinho-a obstinada. Disciplinada. Teimosa. Persistente. Corre de fralda para, simplesmente, não parar. Foi isso que fez com que não me esquecesse dela. Ou daquela fralda num corpo que não a pede. Acho que, na verdade, não me esqueço da pressa dela. E lembro-me dessa fúria em fazer melhor quando sinto na pele a ânsia de querer fazer tudo. 
Acabei de fazer um corte no dedo. Gritei. Ouvi um "estás bem, mãe?". Habitual. Recorrente. Sou a pessoa que faz tudo em modo acelerado. Sou a que parte copos, pratos e tudo o que tem aspecto frágil. Queimo-me, corto-me e caio. Vou contra armários, faço nódoas negras e praguejo. Envio emails à velocidade da luz, escrevo o que só eu entendo e raramente encosto-me para trás. Não me lembro de caras porque não me detenho muito tempo a observá-las. Quero tudo para ontem e dentro das gavetas, se possível agrupado por categorias. Mexo uma sopa, viro bifes e trituro um puré apenas com duas mãos. E no fim disto tudo... espanto-me por ela usar uma fralda. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A galinha da vizinha nem sempre é melhor do que a minha- deviam fazer tshirts

É como aquela história do marido das outras. No meu caso, a situação não chega a esse extremo mas, à semelhança da maioria das pessoas, há coisas que queria só porque não as tenho. Ou queria simplesmente porque são o oposto do que eu sou. Por exemplo, desde pequena que gostava de ter o cabelo encaracolado. O meu, claro está, é liso como esparguete bem cozido. E queria, não pequenos jeitos ou ondas, mas verdadeiros canudos, quais cachos graciosos. Lisinho... Gostava de ser frontal, vomitando a resposta mental que não consigo dizer. Assim, na cara, no segundo exato da merecida resposta e não meia hora depois quando a pessoa já entrou na auto-estrada. Gostava de ser a terrorista que apregoo. De não me melindrar com cada frase menos fofinha ou com um qualquer revirar de olhos sem sentido. Não: sensível com leves traços de drama queen... Gostava de não fazer fluxogramas mentais para cada decisão. Sim ou não, a resposta é dada e bola para a frente. Impossível. Analisar prós, listar contras, pensar nas consequências, no que os outros dirão, no que nos outros pensarão, no que os outros vão comer ao jantar. 
Pensava nisto. Às vezes gostávamos de ter ou ser outras coisas simplesmente porque não as conhecemos. Idealizamos, achamos que seria muito melhor e, na verdade, nem sempre assim é.  Eu, para além das qualidades menos "apetecíveis" que mencionei acima, sou uma pessoa queixosa. [Serei daquelas velhotas que, apesar amorosa (tenho a certeza que serei!), listarei as maleitas que assolam o meu frágil corpo a quem me ouvir mais do que cinco minutos.] E uma das queixas que verbalizo com mais frequência é o cansaço. Porque são muitas rotinas, porque é mochilas e roupas e refeições. Porque os miúdos se embrulham em brigas e discussões. Porque tenho de encarnar a Isaura e o General e tudo é programado ao pormenor, segundo a segundo. Porque tenho de pensar em tudo. Queixo-me e invejo os meus amigos que dão ordens às Marias Joaquinas que lhes limpam as casas. Invejo os meus amigos que enviam os filhos durante semanas para os avós ou para férias longínquas. E sinto-me mal por este sentimento que, no fundo, é o desejo íntimo de ter um tempinho para mim. Só para mim. E analiso esta contradição e sinto-me ainda mais cansada... Isto para dizer que, muitas vezes, sobrevalorizamos aquilo que achamos que queremos ou aquilo que achamos que seria bom para nós. 
Não vejo os meus filhos há dias. Não estão cá, não dormem cá. Estou sentada no sofá e só ouço o barulho do aquário. Não estou com um copo de vinho na mão, não fui para nenhuma esplanada e nem calcei os ténis. Não fiz nada do que achava poder fazer sem a tarefa de cuidar deles. Não fiz nada do que imaginei. Eu e o barulho do aquário Vasco da Gama. Sem ter de fazer absolutamente nada! E, no entanto... sem uma ponta de maior alegria. Curioso não é?
De vez enquando volto a ler coisas que já me escreveram. Hoje reli umas palavras que transcrevo sem qualquer contexto. "O dia em que compreenderes que deves aproveitar as pequenas felicidades... é o dia em que te libertas (...)."
Tenho saudades deles. 

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

O Nicholas Sparks está nas Avencas sob a forma de duas velhinhas

Às tantas ele pergunta-lhe o nome. Ela encolhe os ombros. Dirige-lhe a mesma pergunta e ele devolve o gesto. Ficam ambos em silêncio. Não interessa. Sugere que daí a uma semana se encontrem num jardim de Paris. 18h00. Ela aceita sem dúvidas. Despedem-se com um abraço demorado. A cena seguinte mostra-a com a mãe. Está com dúvidas. Não sabe se deve ir viver com o namorado para Nova York. É um enorme passo e não tem a certeza. Precisa de pensar. Apanha o comboio que a leva até Paris. É sexta-feira e ela sorri. Ouvem-se os passos apressados dele na garagem. Desata o nó da gravata e olha para o relógio dentro do carro que acabou de ligar.  São quase seis horas. Horas depois vê-se o seu corpo numa cama de hospital. Toma consciência de que não saiu da garagem e que algo de grave lhe aconteceu. Falam-lhe do que já esperava. Desmaio, enfarte, stress, uma vida que tem de mudar. Já não são seis horas e ele pensa nisso. Não sabe nada dela. Nome, idade, morada... Absolutamente nada. As vidas seguem. Ela vai viver com o namorado, como ele queria. Esperou naquele jardim muito tempo. O tempo que precisava para tomar uma decisão. Ele mudou-se para uma cidade pequena ali perto da vida que já não convinha viver. Passaram dois, três, quatro anos. Não se percebe. Ele é contabilista num escritório no centro da cidade. Um dia entra-lhe pela porta uma mulher. Tudo normal não fosse o seu semblante triste. Na verdade, está preocupada. O seu negócio está a correr mal e não sabe o que fazer. Ele começa a ajudá-la. O antiquário de que é proprietária tem de fechar. Simplesmente não permite rentabilidade e apenas faz com que Sarah se afunde mais. Ele trata de tudo e acaba por a convidar para jantar. Sarah é doce e terna. Rapidamente, cresce algo entre os dois. Ele está sozinho há demasiado tempo e Sarah preenche perfeitamente as feridas do seu coração magoado. Conhece a sua família, os seus amigos e mais um tempo passa. Assistimos ao pedido de casamento, às caras felizes de ambos e aos preparativos para o grande dia. Uma noite, ele entra e Sarah está no computador a falar com a irmã. Trata-se de Sophie que vive em Nova York. O Skype desliga-se mesmo no momento em que ele vislumbra o écran. Perdeu o ar e o sangue que lhe corre pelas veias parece ter simplesmente parado de correr. Parece ela! Não pode ser! Não tem como confirmar. Faz umas poucas perguntas a Sarah mas não sai da mesma dúvida. Faltam poucos dias para o casamento e não... Já não sabe nada. Na noite seguinte, liga o computador. Primeiro apaga todas as luzes e só depois estabelece a ligação. Do outro lado, Sophie aparece mas nada vê, nada ouve. Ele desliga. Não precisa de mais tempo. Tem a certeza de que é ela. A mulher por quem se apaixonou há anos atrás. A mulher que lhe tirou o sono, a tranquilidade e a esperança... E agora ali! Irmã da sua noiva, madrinha do seu casamento. 
Agora já o vemos no altar. Está sério e de olhar no chão. Não quer olhar para trás. Ainda não. Sabe que Sophie virá mais tarde mas ainda não sabe o que fazer. Ouve-se o sim, os festejos e todos pensam que é um momento perfeito. Até há poucos dias, seria mesmo. Vão entrar no salão onde é suposto partilhar toda essa felicidade com os familiares e amigos até que ouve o que mais temia. Querida irmã, deixa-me, de uma vez por todas, apresentar-te o meu marido. 
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E as velhas levantam-se para ir à água. Vou-me embora da praia. 

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Um post sobre nada ou eu não enfrentei verdadeiramente o medo [apenas corri mais rápido]

No outro dia, enquanto corria na montanha, a dada altura fiquei sozinha. Foram apenas alguns quilómetros. Só o barulho da minha passada, o verde que me rodeava e a vista sem fim. Atravessei-me com alguns animais mas foram os cães que me levaram a memórias antigas. Ladravam à minha passagem e, apenas segundos depois, apercebi-me do que fazia. Quando dei por mim tinha os dedos a tapar os ouvidos e os olhos entre um abrir e fechar constante. Lembrei-me que fazia isto quando era pequena. Encolhia-me e tentava anular-me. Cerrava os olhos e tapava os ouvidos como se esses gestos me tornassem invisível. Não me lembrava deste meu medo até àquele momento. 
É estranho como funciona a nossa mente. Achamos que somos crescidos, que evoluímos ou que mudámos e de repente estamos ali encolhidos outra vez.  
Mas eu passei e os cães continuaram a ladrar. Os muros eram suficientemente altos ou as correntes demasiado curtas. Não me apanharam. 
Curioso como alguns medos continuam mas acabamos por arranjar uma forma de lidar com eles. Ou de os contornar, pelo menos. 


sábado, 1 de agosto de 2015

Prometo

Prometo que não escrevo sobre ti. Ninguém quer saber de dores ou tristezas alheias. Querem sorrisos, fotografias bonitas, histórias e momentos memoráveis. Eu vou na onda. E engulo as lágrimas que vou deixando de chorar. Mas sinto-as. 
São seis da manhã. Acordo com a luz, os sons da rua. Acordo com o cabelo molhado sob o meu pescoço. Penso em ti. Como gostavas disto. Como a última vez que aqui estive, foi contigo. Nesta casa. Não me lembrava disso. Lembrei-me quando cá cheguei. Quando olhei para o fogão e vi as tuas mãos a acenderem os fósforos. Quando vi a faca que admiraste cortar bem. Quando me lembrei que gostaste da água quente como está agora. 
A maior parte das vezes, olho para o lado. Vejo a tua foto de relance. Ainda não consigo olhar apenas com saudade. Ainda me dói muito. Fujo como é meu hábito, quando se torna difícil. E depois a vida faz com que eu tenha de enfrentar de frente... Estás por todo lado. Virando a cabeça ou fechando os olhos, estás aqui. Nas mãos do Filipe. No jeito dele ser pai. No carro igual ao teu estacionado onde bebias café. No caminho para a praia. Nas garrafas de água que agora outros enchem. No pão que agora me levanto para comprar. Nos figos que antes me trazias. Em tudo, estás. 
Esta semana conto dois anos que já não te temos. Parece pouco ou parece uma eternidade, não sei. Aconteceram  muitas coisas. O mundo não parou e, no entanto, para mim, às vezes parece que sim. 
São quase sete da manhã. Prometo que escrevo sobre ti. (Link)

quinta-feira, 30 de julho de 2015

O melhor do meu dia?

Quando ele, sob lágrimas disse: "Ela não teve nada a ver com isto. A culpa é toda minha."


[selfies parvas, não contam]

Acredito que não acreditem mas, não gosto que me tirem fotografias. Nem sempre deixo, viro muitas vezes a cara e apago das câmaras alheias. Por isso, vão desistindo... Contraditória como só eu, adoro ver fotos. Tiro muitas a tudo e a todos. Partilho algumas e revejo-as vezes sem fim. Funcionam com um diário que muitas vezes só eu sei ler. Coisa estranha esta. Coisa minha. 
Agora que via fotos de outros, pensava nisto. Não há quase registo meu nestas férias. Culpa minha. Pensava porque vejo fotos de mulheres, como eu, sentadas nas suas cadeiras de praia, a reluzir ao lado do seu bronzeador e cuidadas com as suas pulseiras, chapéus de palha e elegantes fatos de banho. Penteadas e arranjadas. Sem areia ou marcas de sal. Talvez não sejam mulheres com eu, afinal. Ou eu não sou como elas, bem vistas as coisas. Estava a pensar que se me tirassem fotografias nas férias apanhariam-me em desalinho. Com os pés castanhos de passar a ria a pé. Com o cabelo despenteado do vento que apanho à beira mar. De cócoras a procurar conchas e seres vivos... Numa corrida desenfreada até à água. A jogar às raquetes com os miúdos. A fazer piscinas à beira mar. E castelos e túneis. De joelhos esfolados por não sair dali. A boiar na água, a olhar o céu. A comer laranja na toalha com areia. A tentar fazer o pino como fazia. A apanhar figos empoleirada por entre os ramos. A comer entrecosto com as mãos. E conquilhas. E melancia. Muita melancia. Deitada na relva a olhar as estrelas. 
Se me tirassem fotos nas férias, talvez não parecesse igual a elas. 
Talvez eu não seja mesmo como elas. Não faz mal. 




sábado, 25 de julho de 2015

1, 2, 3, já cá estamos outra vez

A dinâmica de hoje obrigava-nos a um exercício de memória, adequado a quem a está a perder. Pedimos que pensassem nas férias. Sem limites ou regras. As férias de há 30 anos. As férias do mês passado. As passadas em quentes praias ou as do Natal. Basicamente, pedíamos memórias boas. Como habitual, começámos por dar o exemplo. A Marta regressou à sua infância. Falou das barraquinhas às riscas, da praia ao pé de casa e parou. Os olhos encheram-se de água. Lembrou-se de quem já cá não está... Comecei a partir daí. Controlada, cautelosa... refugiei-me no humor. Contei como viajávamos, rumo ao Algarve, todos os Verões. Num, em particular, íamos os cinco no banco detrás, colados, com os nossos pais à frente e todo um mundo de malas e colchões sob cordas atadas no tejadilho. Lembro-me de nos apitarem e de nos fazerem sinais. Tudo estava espalhado pela estrada... todos se riram e iniciaram a sua partilha. Tomaram a mesma decisão. Memórias alegres, histórias engraçadas, lembranças e mais lembranças. Enquanto pensava que a doença de Alzheimer não conseguia roubar tudo, lembrava-me do que podia ter contado. Sem me perder... Nós os cinco apertados no banco de trás. A mão grossa do meu pai a fazer-nos festas adivinhando as pernas de cada um. O frango frito e o trinaranjus de laranja, na bagageira aberta. Os jogos de cartas, à noite, perto da piscina. A fruta comprada à beira da estrada. As sandes de ovo na praia. O Rui a deixar cair os Calipos, o Pedro a dormir de barriga para cima, o Filipe sempre bebé e o João próximo e igualmente distante na sua já adolescência. O toque do despertar lá pelas 8... as horas de digestão religiosamente contadas... o creme protetor de um branco que nos envergonhava... Nadar em cima das costas do meu pai. Apanhar ondas em corridas sem fim. As idas ao mercado. Os figos e as amêndoas para a tarte. A minha mãe cansada. As sestas da tarde. As noites quentes e o som das cigarras. O nosso primo Daniel. As sardinhas. A nossa gata que estranhava e se habituava. Os postais e cartas que enviava. 
Seguem-se outras memórias. Mais recentes. Diferentes. Com amigos, com filhos, com a família. Sempre por aqui. 

Chegámos hoje. O meu filho abriu a janela e disse "cheira a Algarve". Não vinhamos cá há três anos... Tudo se mistura. A lembrança de nós crianças, todos juntos. A dor de estar aqui sem... As coisas que já não são a mesma coisa. As boas que agora vivemos e as memórias que o futuro no reserva. 
Cheira a Algarve, de facto.






sexta-feira, 24 de julho de 2015

Quem diz melancia, diz melão. Ou figos, vá

Bem sei que a maioria das pessoas sonha com águas cristalinas, pés enterrados na areia, destinos de sonho... as férias num postal. Claro que gostaria, também, de tudo isso. Terei um pouco, é certo! Carregaremos um carro até o pára-choques roçar no chão, levaremos este mundo e o outro como se fossemos emigrar para França, iremos arrastar-nos todos os dias para a praia com as toalhas, as raquetes, a bola, o protetor, as sandes de ovo, a garrafa de água, o livro... cozinharemos refeições, incluindo uns raquíticos croquetes no forno, e sim, iremos tirar fotografias pirosas. Serão as nossas férias- as reais e boas. Mas... o que eu queria mesmo mesmo... eram estas ferias e... sair desta casa sabendo que amanhã aqui estaria uma equipa de intervenção. Não falo de amadores. Falo de gente profissional capaz de limpar locais de crimes passionais. Gente que entraria por aqui a dentro com um espírito de missão: fazer-me feliz. Tecnologia avançada, os melhores produtos, o maior rigor e eficácia. Deixo aqui uma lista que me deixaria assim pró contente:
  • Vidros lavados. Janelas e caixilhos incluídos. 
  • Tapetes limpos a seco.
  • Toalhas imaculadas e fofinhas. 
  • Roupas das camas lavadas e esticadas. Incluindo colchas e almofadas. 
  • Livros escolares plastificados e identificados. 
  • Paredes pintadas.
  • Roupa toda passada e devidamente guardada. A que já está pequena colocada em pequenos sacos para passar para as crianças seguintes.
  • Frigorífico lavado e arca com refeições confeccionadas e devidamente acondicionadas (com etiquetas identificando quando foi feito e o que é).
  • Despensa cheia com os rótulos para o mesmo lado (sim, papá, estamos iguais).
  • Plantas regadas e água do aquário mudada. Peixes novos, por favor.
  • Pó eliminado tipo depilação a laser.
  • Casas de banho esfregadas com lixívia desde o primeiro azulejo até à ombreira da porta. Escovas de dentes mudadas e talvez umas velas acesas. 
  • Candeeiros igualmente lavados. 
  • Brinquedos selecionados e eliminadas 85 bolas de futebol e 300 roupinhas para carecas e bonecas.
  • Árvore de Natal montada. Já agora...
  • Microondas novo. O outro faleceu para todo o sempre. E se é para comprar, não lavem o frigorífico como já escrevi. Este está quase quase a berrar. Podem substituir. 
  • Disco externo com filmes novos e os episódios atualizados das séries que seguimos. 
  • Uma pequena amostra da coleção de outono/inverno nas minhas gavetas. Bastam umas quaisquer cinco gavetas cheias. As lojas podem ser de um qualquer grupo espanhol pois aqui já só se compra fruta nacional. 
  • As tampas junto aos tupperware correspondentes. As panelas e frigideiras corretamente encaixadas, das maiores para as mais pequenas. 
  • Se não for muito incomodo, melancia cortada aos cubos numa taça. Sem pevides.
[Isto da felicidade... Cada um com a sua...]

quarta-feira, 22 de julho de 2015

...

As redes sociais dão-nos esta ilusão. Vemos os seus sorrisos, assistimos às férias, ao casamento e baptizados, vemos os filhos crescer, os marcos na escola, as gracinhas do animal de estimação, as vitórias... Estamos completamente fora e, no entanto, temos uma estranha sensação de proximidade. Como se de uma maneira completamente twilight fizéssemos parte. Ia escrever que não fazemos. Arrependi-me. Acaba por acontecer. Não sei explicar como mas, provocando emoções em nós, é um bocadinho nosso. 
Estive com ela, numa altura longínqua da minha vida, umas dez vezes. Talvez mais, não sei. Tínhamos uma grande amiga em comum e o quotidiano acabou por se cruzar algumas vezes. Os anos passaram e passei a vê-la muitas vezes. Cada vez que ligava o computador, para dizer a verdade. Vi nascer mais um filho, assisti a algumas viagens, li alguns desabafos, acompanhei alguns anos sempre de alguma coisa. Agora leio que se despede da vida. Do marido. Dos três filhos pequenos. De tudo. O cabrão do cancro voltou. Levei um soco no estômago. A cada frase lida perdi o ar. Mal a conheço. E ao mesmo tempo conheço-a. A ela, à doença, ao sofrimento, à perda. Às vezes detesto a aleatoriedade da vida. Às vezes a vida é uma merda. 

"Tudo mudou mais uma vez e agora sei que não terei uma longa vida... as coisas alteraram-se todas em minutos e agora basicamente o pensamento é deixar, arrumar tudo, acertar mimos, dar beijos, relembrar memórias, dizer que amo muito e gosto... para que todos fiquem bem."


terça-feira, 21 de julho de 2015

#coisasquesóamiminteressam

Sentado no carro, enrolado no seu casaco invernoso, disse-me:
- Sabes, mamã, eu acho que já sei porque é que eu não tenho forças. No outro dia dormi muitas horas e o meu corpo esteve muito tempo sem trabalhar. Se calhar, está confuso.
Não vos diz nada, eu sei. Nem sequer piada tem. Para mim, diz tudo. O meu pequenino grande.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

"Eu desabafo com as minhas lágrimas"

Vejo pelo espelho retrovisor a cabeça encostada na janela. Não me pede para colocar outra rádio nem para mudar de música. Não há som entre os dois. Nada. Silêncio absoluto. Sei que não vale a pena perguntar. Conduzo. Entramos em casa e sei o que tenho a fazer. Deito-me ao lado. Beijo-lhe a cara salgada, afago o cabelo e tento entrar. Nunca consigo logo. Nunca. Inicio um jogo de avanços e retrocessos. Muitos silêncios. Não posso pedir logo tudo mas começo por algo. Ouço uns nadas que são tudo. Lembro-me de mim. Lembro-me tão bem de mim! Respeito aquilo que não me quer dizer. Respeito a sua idade de gente e a sua privacidade. Engulo lâminas invisíveis. Conta-me só o que quer contar. Confia aquilo que é de confiar. 
Essa história de que as mães são as melhores amigas não é verdade. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Há esferas que não se confundem. Ou não devem. Mãe é um ser também pequeno. Que começa a dar os primeiros passos naquilo que é fazer crescer outro bem mais desprotegido. Não há livro, experiência relatada ou ensinamento transmitido que transforme uma mãe, num ser seguro da sua sabedoria. Eu não tenho certezas, pelo menos. Nem sempre sei quando devo forçar, quando devo exigir, quando devo largar. O que melhor sei é aguardar. Estar ali e esperar entender os sinais. Eles (os miúdos), normalmente, devolvem-nos o que precisam. E, assim de repente, as lágrimas saem com mais força, as palavras atropelam-se. Simplesmente deixam-nos entrar. Lambem-se as feridas. Abraça-se forte e descontrai-se. Todos os problemas se resolvessem assim. 

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Quem diz é quem é

Acho que há pessoas que entram na nossa vida, porque têm de entrar. Estão no nosso mapa astral, destino ou sei lá o quê. Simplesmente, faz sentido acontecer. Conheci-te em 2002. [Já contei esta história milhentas vezes.Falei-te pelo telefone. Cheia de formalidades. Dr. para aqui, Dr. para acolá. Como o Dr. melhor entender! Ainda gaguejava e corava, a cada assunto a resolver. Terminaste a chamada telefónica com um caloroso e sonoro "beijinhos". Pousei o telefone e fiquei uns segundos a pensar. Quem serias tu? Estávamos em 2002, repito. Eu acabada de casar (ou prestes a fazê-lo), sem filhos e sem quase nada saber. Tu, numa história que eu reconhecia. A nossa amizade começou ali, naquele despedir caloroso. Ali mesmo. Passei, nem sei bem como, a contar com isso. Passou a ser assim, simplesmente. Viste-me crescer. Assististe aos meus primeiros passos como mulher de alguém, como mãe de alguém, como subordinada de alguém, como amiga de alguém. Assististe a tudo. Ainda o fazes. Sabes quando perco o sorriso. Sabes quando finjo um sorriso!!! Vislumbras os meus olhos a ficaram brilhantes e adivinhas quando preciso de ti. Estás sempre lá. Esforço-me por chegar aos teus pés. Para ser amiga como tu és. Falho tanto. Taaanto. Assumo sempre as minhas culpas. Peço desculpa, algumas... muitas vezes. Tenho pressa quando bebemos café e nem sempre devolvo as chamadas. Sempre a correr. E tu suspiras ao mesmo tempo que sei que sorris. Mas penso em ti, sempre. Penso que mereces o melhor. Desejo que saibas que mereces o melhor. Não só hoje porque é especial. Sempre e para sempre.
Hoje, quando me ligaste ao final do dia disseste... uma das coisas que gosto mais em ti é que não sabes o quão maravilhosa és. Não sabes! Sei algumas coisas. Já estamos em 2015 e aprendi. Sei que aquilo que sou, resulta daquilo que os outros são comigo. Por isso, devolvo. Tu és maravilhoso.  Hoje repito uma pequena parte do que já escrevi:

"(...) O post que eu queria publicar diria obrigada, mil vezes, e mais umas tantas, até ao infinito. Por me aturares. Porque pensares antes dizer qualquer coisa que me magoe. Por dizeres coisas que me magoam.
O post que eu queria publicar agradecer-te-ia por me fazeres rir de manhã. Por me fazeres rir à tarde. Por me ligares, sem te esqueceres, que eu vivo desse balão de oxigénio. Das conversas parvas, das confidências. Dos silêncios.
O post que eu queria publicar não chegaria para reconhecer o valor dos teus gestos. Por acreditares em mim. Por não me julgares e até por te zangares. Pelas tuas lágrimas quando sabes das minhas. Pela tua preocupação com as minhas preocupações.
O post que eu queria publicar dir-te-ia que gosto muito de ti (...)". (2013)

sexta-feira, 29 de maio de 2015

E ainda querem a Isaura a escrever!

O meu irmão mais velho tem fotografias na escola primária em que se avista o pijama por baixo da camisa escolhida para o ilustre dia. Sabendo o que sei hoje, não sei como é que ele não apareceu de cuecas. 

Os meus pais tiveram 5 filhos. Quatro rapazes e eu. Crescemos saudáveis, não acabámos em nenhum estabelecimento prisional e nunca tivemos desaparecidos mais do que 2/3 horas. Hoje, acho que este feito seria digno de condecoração em assembleia da república.  
Eu, com apenas dois pequenos seres, sinto-me constantemente à beira da exaustão. Por diversas vezes sinto uns tremores a assomarem-se às veias do pescoço tais os nervos que me assistem. Nem sei bem como transmitir... Não sei se fale nas horas que já passei sentada em semi bancadas de terras com nomes como Algueirão ou Mem Martins. Dos jogos seguidos em que finjo perceber aquilo que as outras mães gritam com fervor para dentro do campo. Talvez mencione as inúmeras meias que viro para que fiquem bem lavadas e das milhentas bolinhas pretas que apanho do chão e que podiam cobrir todo um relvado sintético de um qualquer estádio. Falo das chuteiras e caneleiras e do saquinho para o banho, dos tênis para trocar e da roupa extra. E os chinelos e a botija de água. Ó mãe........ Falta a braçadeira de capitão! Falo das leggins que são precisas para as acrobacias da miúda e das meias cor de rosa que ficam bem com os calções da mesma cor. E da camisola a mostrar o ombro que todas as amigas têm. Do trabalho de EV que ainda não secou e da sandes de ovo que é para variar.  E do menu do almoço do dia seguinte que tem de ser consultado. E se é peixe é todo um drama pois "sabe a lixívia" e a Isaura fofinha prepara uma alternativa. E ainda troca a aguinha das garrafinhas para ficarem fresquinhas. Inhassss. E só sei que o granito dá para fazer bancadas da cozinha e procuro no Google as possíveis aplicações para o basalto. E amanhã há festa do não sei quantos e lá se vai comprar a prenda. Tem dormida incluída e, como tal, falta preparar o saco cama, a bolsinha, o pijaminha e a roupinha e tudo e tudo. E a outra tem de estudar matemática e fiquei nas contas de dividir... E há a preparação para a primeira Comunhão! É fazer almoço, é fazer lanche e mais a mochilinha com material para pintar! E o Dia da Criança... O email da
Professora menciona garrafa de água identificada, lanche partilhado, protetor solar nas partes descobertas e dinheiro para o gelado. E vamos já comprar tudo. E estaciona-se o carro e afinal este não é o melhor supermercado pois não dá para comprar a prenda para o outro. E bora lá à outra ponta da freguesia. E que bom que vim de saltos altos para esta mega superfície. Estou tão feliz por ter escolhido o final do dia, do final da semana para fazer as compras. Onde estás? É que esqueci das chaves de casa... Não há problema pois sou perita a conduzir em sexta. Mamã, afinal os rapazes têm de levar copos de plástico para o lanche partilhado. Como é que se diz que forma incompreensível: fuck the plastic copes? Mete o frango na panela de pressão. Eu já disse que é para tomarem banho! E o frango demora muito... Mas o jantar é sandes? Só pão? É o que quiserem. (Sinto as veias e os dentes cerrados) E a pessoa engole o panito e diz aos colegas queridos que não dá para ir aos caracóis pois já enverga um avental e uma colher de pau. E come-se metade das compras adquiridas e agora a mamã vai respirar. Vais correr na digestão? A pulsação visualiza-se no pescoço e o melhor mesmo é sair. Já. E lá se vai em sexta para chegar mais rápido e não há vagas no estacionamento no único sítio com luz a hora tardia. São barcos e tendas e policias e palcos e a pessoa dá voltas e na verdade o pão do jantar até que se faz pesar na barriga.
E agora conduzo devagar e volto para casa. As janelas estão abertas, a luz ainda tem um claro veranil e parece-me que música acalmou o sangue a ferver. Na pas de corrida, na pas de nada. Isaura vai serenar. E o miúdo dá beijinhos no meu cabelo e a miúda pergunta se pode ficar encostadinha a mim. E a Isaura faria tudo novamente.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Posso partilhar? Partilhei

Foi há cinco, talvez sete, quem sabe dez anos. Ele sentiu-se mal. Reconheceu os sintomas, pegou no seu carro e entrou no hospital. Não tinham urgências, avisaram. Estava a morrer, informou. 
O meu telefone tocou lá pela uma da manhã. Parei de respirar. Corri. Disseram-me que não valia a pena. Vale sempre. Chorámos quando nos vimos. [Não aguento o telefone à noite. Não aguento.]
Volvidos cinco, sete, quem sabe dez anos, o telefone tocou outra vez. Estava lá novamente com um aviso sério. Coração, outra vez. Corri novamente. Voltou o mesmo cenário e mais medidas- estratégia para quem é repetente. 
Desta feita, contudo, foi diferente. Voltou para casa passado uns dias e lá regressou para o delicado procedimento. Estava nervoso. Dizia piadas, como eu. Foi. E eu fiquei ali. À espera. Soube então: 
Há cinco, sete, quem sabe dez anos atrás, pediu a um enfermeiro para telefonar ao meu pai. No escuro da ocasião, falaram muito tempo. Explicou-lhe em pormenor o que havia acontecido. Respondeu a todas as dúvidas próprias do desespero de um pai.
Volvido este tempo, levava-lhe o dinheiro. Queria, porque queria, pagar-lhe a chamada telefónica, simplesmente porque se havia lembrado. Nervoso, com medo, pensou no enfermeiro que o ajudou. E encontrou-o. Não aceitou o dinheiro.

[Porque este é também um repositório de histórias, conto esta. Mostra quem tu és. É uma história bonita.]

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Pequeno bebé, grande compromisso

Para quem quiser seguir a minha nova aventura, bastar clicar aqui.


[os restantes mantenham-se aqui, fofinhos]

Marta, obrigada pelas palavras simpáticas e, por te arrastares comigo por esse asfalto fora. We rock!